Uma efeméride a lembrar na Galeira dos Pioneiros Portugueses

A Galeria dos Pioneiros Portugueses, junta-se este ano às comemoracoes do “Remembrance Day”, evidenciando também, o sacrifício dos jovens soldados portugueses, que pereceram nos campos de batalha. Neste ano, em que se recorda 100 anos deste envolvimento português, a Galeria convida os portugueses para participarem numa tarde de memória, a partir das 14h30.
Nos primeiros anos daquela que ficou conhecida como a Grande Guerra, o governo português, preocupado com as incursões alemães em África, pensa inicialmente na proteção das suas colónias. Por isso, no dia 18 de Agosto de 1914, o governo decide organizar uma expedição militar com destino a Angola e a Moçambique, que sai de Lisboa a 11 de Setembro, sob o comando do tenente-coronel Alves Roçadas, (Angola) e para Moçambique, a responsabilidade ficou a cargo do tenente-coronel Massano de Amorim.
No dia 30 de Outubro, acontece o primeiro confronto com os alemães, naquilo que ficou conhecido como o massacre de Cuangar, no Sul de Angola. O posto português é atacado por alemães armados de metralhadoras. De acordo com fontes históricas, neste primeiro confronto, “são mortos dois oficiais, um sargento, cinco soldados europeus e treze africanos, o comerciante Sousa Machado e uma mulher, num total de 22 pessoas.”

Nos anos posteriores, de 1915/16, Portugal continua a enviar tropas para o continente africano, para fazer frente ao ataque das forças alemães. No ano de 1916, a situação portuguesa neste conflito conhece uma nova etapa, quando a 9 de Março, a Alemanha declara a guerra a Portugal. A partir desta data, começa a desenhar-se a participação portuguesa na Europa. A 7 de Janeiro de 1917, com o acordo governo francês, a proposta portuguesa que pretendia disponibilizar pessoal de artilharia sob um Comando Superior Portuguêse é aceite, nascendo assim o chamado Corpo de Artilharia Independente. Dez dias mais tarde, nasce o Corpo Expedicionario Português – CEP, “como uma Divisão de Infantaria reforçada.” A 30 de Janeiro sai do Tejo a 1.ª Brigada do CEP, comandada pelo general Manuel Gomes da Costa, a bordo de três vapores britânicos. Depois de uma passagem por Brest, na Bretanha, as tropas portuguesas chegam à zona de Thérouane, na Flandres francesa, a 8 de Fevereiro, local onde fica concentrada a divisão do CEP. No dia 4 de Abril, as primeiras tropas portuguesas entram nas trincheiras.É desta participação que resulta a morte do primeiro soldado português em combate, António Gonçalves Curado. No dia 17 de Maio, é assinada a «Convenção militar para o emprego das forças portuguesas de artilharia pesada na linha francesa de operações em França».
Em Julho dá-se a Terceira Batalha de Ipres, também conhecida como Batalha de Paschendale, localidade capturada em Novembro pelas tropas canadianas. No dia 28 de Junho de 1919 é assinado o Tratado de Paz, que põe oficialmente fim à Primeira Guerra Mundial, em Versalhes.
De acordo com os últimos números, entre 1917 e 1918, mais de 50 mil homens partiram para as trincheiras da Frente Ocidental da I Guerra Mundial. Morreram milhares, outros foram feitos prisioneiros. Entre eles “259 expedicionários portugueses”, número resultante de uma nova contagem feita a partir de fundos documentais que agora são conhecidos com a publicação do livro ‘Prisioneiros portugueses da Primeira Guerra Mundial’, da autoria de Maria José Oliveira. “De A a Z, do soldado de infantaria ao soldado da artilharia, da Alemanha à Polónia, estes homens morreram em campos de internamento e de trabalhos forçados.” De acordo com esta historiadora, “os prisioneiros mortos têm quase todos menos de 30 anos, mas a grande maioria que foi para a frente europeia tem entre 20-25. Vêm essencialmente de meios rurais, e a grande maioria é analfabeta”. Para além disso, “iam quase todos mal preparados para a guerra de trincheiras e para as grandes novidades, em termos militares, que a I Guerra Mundial trouxe”.
Neste “Remembrance Day”, venha à Galeria dos Pioneiros Portugueses, na 960 St. Clair pelas 14:30 e recorde estes jovens soldados portugueses e os seus camaradas canadianos e europeus.

Por Humberta Araújo, Curadora da Galeria dos Pioneiros

*Com apoio de documentos históricos