Em 43 anos Armando Viegas chegou ao topo da Cara Operations, a maior empresa de restaurantes com serviço completo do Canadá, dona de mais de 1 300 espaços que incluem marcas bem conhecidas dos canadianos, como é o caso do Swiss Chalet, o Harvey’s ou o Milestones. Em setembro este alfacinha vai lançar a autobiografia, uma obra marcada pelas primeiras palavras que ouviu quando chegou a este país aos 19 anos.

Em declarações ao Milénio Stadium, Viegas descreveu o primeiro dia desta aventura. “Cheguei cá em 1965 e apanhei um dos invernos mais rigorosos. Vim no dia 24 de dezembro e procurei um taxista que falasse francês. Pedi-lhe que me levasse para uma área portuguesa e ele deixou-me na Rua Augusta e quando se despediu desejou-me boa sorte em francês. Bonne Chance é o título deste livro porque foi uma espécie de guião durante a minha vida”, contou.

Na Cara Operations começou como empregado de bar e durante a sua carreira nunca parou de estudar. Reformou-se em 2011 e garante que conquistou tudo na vida. “Comecei como bar tender e terminei como diretor geral do centro de atendimento a clientes e nessa altura era responsável por 1500 funcionários. Quando comecei fazia 10 milhões de dólares por ano e tinha 200 empregados, quando sai as vendas representavam 114 milhões de dólares por ano. Devo ter tirado uns 70 cursos profissionais, nunca parei de tentar servir a empresa da melhor forma possível”, justificou.

Trouxe à Casa do Alentejo Ana Moura e Carlos do Carmo

Viegas emigrou para fugir à repressão da ditadura, mas nunca esqueceu Portugal. Por cá foi colaborador de vários jornais e foi presidente da Casa do Alentejo de Toronto, uma entrega que lhe valeu a medalha Queen Elizabeth II– Diamond Jubilee. Durante os seus mandatos trouxe a esta instituição vários vultos da cultura portuguesa, nomeadamente Ana Moura e Carlos do Carmo.

“Nasci em Lisboa, mas como casei com uma alentejana acabei por me embrenhar nesta forma de estar na vida. E até passei a gostar de açordas e de ouvir cantar os grilos. Os meus filhos dormiam debaixo das mesas porque tínhamos que trabalhar, voluntariamente, até tarde. Trouxemos vozes extraordinárias à Casa do Alentejo”, disse.

Homem de convicções, Viegas foi convidado pelo Partido Liberal e pelo Partido Novo Democrático para fazer parte da lista às eleições provinciais. “Respeito a opinião de todos os que estão à minha volta, cada um de nós tem direito à sua opinião. Faz parte da democracia, mas nunca me interessei pela política”, explicou.

Viegas foi premiado várias vezes pela Cara Operations e a própria comunidade portuguesa também lhe reconheceu o valor. Em 2008 a ACAPO atribuiu-lhe o prémio de mérito como forma de agradecimento pela sua dedicação. “Fomos nós que fundámos as semanas culturais e o rancho alentejano.  Nem tudo deu certo, mas fizemos coisas extraordinárias. Há muita gente que me deve um pedido de desculpas, amigos que falharam quando precisei deles. Mas as desculpas não servem de nada, são como o tiro de uma arma que falha o alvo”, confessou.

Gosto pela arte e pela fotografia

Depois de se reformar descobriu o gosto pelas viagens e pela fotografia e há poucos anos refez a sua vida amorosa com aquela que garante ser a sua cara metade. Viajam duas vezes por ano até Cuba e recentemente descobriram os Açores. “A Leta é a minha alma gémea, se não a tivesse encontrado, depois da morte da minha primeira mulher, acho que já cá não estava. Ela adora arte e fotografia, tal como eu”, avançou.

O lançamento oficial da autobiografia é a 15 de setembro no restaurante Lisbon By Night e vai contar com a presença de amigos, familiares e pessoas influentes da comunidade luso-canadiana.