Uma estudante do ensino secundário de 15 anos, na Colúmbia Britânica, está a voltar-se para a tecnologia para ajudar a resolver um problema de décadas – como dar nova vida a uma língua indígena quase perdida para o sistema escolar residencial.

Tessa Erickson, da Primeira Nação Nak’azdli Whut’en, está a criar uma aplicação e a organizar um acampamento de verão para ajudar as pessoas mais jovens na sua comunidade do centro da Colúmbia Britânica a falar o dialecto Nak’azdli da língua Dakelh.

Os membros da sua nação eram fluentes no dialeto há três gerações atrás, antes de serem enviados para escolas residenciais, lembra Erickson.

A estudante do 10.º ano disse ter conhecimento de que as gerações desde então tiveram medo de ensinar o idioma aos seus filhos.

“Eles não queriam que os seus filhos passassem pelas mesmas experiências que eles passaram caso eles transmitissem a língua”, justificou Erickson.

As línguas não morrem naturalmente, mas são ativamente apagadas, geralmente pelas forças coloniais, disse Mark Turin, presidente do programa das primeiras nações e linguas ameaçadas da Universidade da Colúmbia Britânica.

Trazê-las de volta é um ato ativista e explicitamente político, e um que é a chave para a reconciliação, observou.

Agora, há uma “energia emocionante” em todo o Canadá entre as pessoas que fazem o trabalho, acrescentou.

Há também um apoio do governo.

Otava assumiu um compromisso de 89,9 milhões de dólares, em três anos, para preservar, proteger e revitalizar as línguas e culturas indígenas, e foi anunciado em junho que o governo federal colaboraria com líderes dos Metis, Inuit e Primeiras Nações para desenvolver legislação para salvar e ressuscitar as suas línguas.

O primeiro-ministro Justin Trudeau disse em 2016 que o restabelecimento das línguas indígenas é a chave para a prevenção de suicídios nas comunidades das Primeiras Nações.

Ele referiu que as comunidades indígenas que fazem um bom trabalho em ensinar a sua própria língua e cultura veem “reduções massivas nas taxas de suicídio”, e essas linguas são um indicador de orgulho, identidade, pertença e cultura.

Há apenas algumas pessoas ainda vivas que falam fluentemente o dialecto Nak’azdli da língua Dakelh, disse Erickson, e ela está a trabalhar com eles, enquanto desenvolve a sua aplicação e planeia os campos de verão.

Segundo ela, a aplicação será simples, com lições que ensinam saudações e dão respostas para perguntas simples.

Erickson espera que a ferramenta esteja pronta para a primavera, para que as crianças possam usá-la antes de sairem para os campos de verão. Ela sublinhou que os campos irão proporcionar aos pré-adolescentes e adolescentes uma experiência de conhecimento da língua imersiva.

Erickson também está a procurar melhorar o seu Dakelh. Ela já conhece algumas palavras e pode manter uma conversa simples, mas disse que quer trabalhar na comunicação de pensamentos mais complexos.

Para Turin, o Canadá está numa posição única para liderar outros países no processo de dar nova vida a línguas indígenas, acrescentando que consegue visualizar um futuro onde as línguas indígenas estão incluídas nas línguas oficiais deste país.

A Estatísticas Canadá informou em 2011 que havia mais de 60 línguas indígenas relatadas, agrupadas em 12 famílias de línguas distintas.

Em novembro, o Six Nations Polytechnic, no sudoeste do Ontário, lançou a sua própria aplicação para ajudar as pessoas a aprender o idioma Mohawk, ameaçado de extinção.


via Milenio Stadium