Investigadores da Universidade da Colúmbia Britânica descobriram como transformar sangue do tipo A em tipo O, o que tem mais procura. Se a técnica for considerada segura poderá significar um grande avanço na doação de sangue.

Existem quatro tipos de sangue: A, B, AB e O e com a capacidade de mudar os tipos de sangue, os hospitais poderiam expandir muito o número de pessoas para as quais poderiam doar uma determinada unidade de sangue.

Os tipos A e B têm antígenos específicos, o que significa que só podem ser doados para outras pessoas com esses mesmos antígenos. O sangue tipo AB tem ambos os antígenos. Então, o sangue tipo A só pode ser administrado a pessoas com sangue tipo A ou tipo AB, por exemplo.
Se o sangue errado for administrado, o sistema imunológico do receptor atacará as novas células sanguíneas.

Mas o tipo O, que não possui esses antígenos, pode ser dado a qualquer um – o que o torna incrivelmente procurado no mundo da doação de sangue. “Esta nova tecnologia oferece uma oportunidade para melhorar a procura desproporcional de sangue O, transformando o grupo de excesso em stock noutros grupos sanguíneos (especialmente o grupo AB)”, disse Dana Devine, cientista-chefe da Canadian Blood Services, ao Milénio Stadium.

Esta técnica vai ser importante para enfrentar a escassez sazonal do grupo O que existe em determinadas alturas. A especialista deu-nos como exemplo os verões no Canadá, desastres naturais (furacões no Caribe ou colocação de tropas em locais perigosos) ou a criação de stocks de sangue para transfusão pré-hospitalar (programas de ambulância Life Flight).

A descoberta foi feita pela equipa de Stephen Withers, professor de química e bioquímica na Universidade da Colúmbia Britânica, que conseguiu produzir uma enzima de alta potência a um baixo custo por unidade.

O processo que os investigadores criaram trata o sangue com enzimas do intestino humano, para remover os açúcares que compõem os antígenos do tipo A, transformando-o efetivamente em tipo O. A técnica também pode ser combinada com enzimas que removem os antígenos do tipo B, o que significa que qualquer tipo de sangue pode ser transformado em sangue O.

Isso não altera o antígeno Rh, a parte “positiva” ou “negativa” associada ao tipo sanguíneo, por isso não cria o sangue verdadeiramente “doador universal”: tipo O negativo. Mas mesmo assim é um grande passo para a ciência.

A Canadian Blood Services está bastante animada com o que esta descoberta pode significar. Embora o sangue tipo O positivo seja o tipo sanguíneo mais comum, o suprimento de sangue está com pouca carga em O, simplesmente porque ele é usado mais rapidamente, explicou Devine ao nosso jornal.

Apesar da descoberta, a comercialização ainda vai demorar alguns anos. “Os investigadores ainda têm algum trabalho a fazer no laboratório e então vão precisar de fazer alguns estudos para mostrar que as células tratadas se comportam como células não tratadas do grupo O na circulação (os chamados estudos de segurança). Isso levará algum tempo, provavelmente na ordem de cinco anos”, informou.

No entanto, apesar de ser uma ajuda importante para os hospitais, esta técnica não é a solução definitiva. “É uma grande ajuda mas as reservas de sangue implicam que as pessoas doem sangue. Mas vamos poder gerir melhor o inventário de grupos sanguíneos que os hospitais solicitam”, avançou a cientista.

De acordo com o Canadian Blood Services, metade da população do Canadá vai precisar de sangue ou vai conhecer alguém que precisará de sangue em algum momento da sua vida. Ainda assim, só 4% dos canadianos é que doam sangue.


Source: Milénio Stadium