Tal como acontece com a Galeria dos Pioneiros Portugueses em Toronto que nos proporciona histórias de pessoas vindas de Portugal, eis que apresentamos o trabalho feito

Copia do Jornal Comunidade

por uma dessas pessoas, Domingos Marques.
O Comunidade foi fundado em junho de 1975 pelo Portuguese Development Committee/Movimento Comunitario Português. Este comité foi uma organização comunitária criada por um grupo de assistentes sociais, incluindo João Medeiros e Domingos Marques, com base no West End Y.M.C.A. de Toronto.
O Comunidade era diferente dos outros jornais luso- canadianos, já que a maior parte do conteúdo era original, não “copiado e colado” de jornais de Portugal, e focava-se na situação dos imigrantes no Canadá e não na Pátria. Além do espírito combativo que caracterizou o seu estilo jornalístico – o Comunidade foi um campeão auto-declarado da classe trabalhadora – este jornal pediu maior participação na sociedade canadiana e procurou educar os imigrantes sobre os seus direitos e responsabilidades sob o sistema jurídico e político canadiano.
Um número significativo de indivíduos socialmente progressistas, alguns dos quais se tornariam líderes comunitários e ativistas, reuniram-se em torno deste jornal. O compromisso do Comunidade com os temas de esquerda e a sua propensão para discussões progressistas também atraiu muitas críticas do lado conservador da comunidade, bem como a vigilância das autoridades canadianas, que estavam preocupadas com a sua retórica marxista. Apesar das suas visões de esquerda, o Comunidade teve uma audiência importante durante os quatro anos que vida.

Domingos Marques

Domingos Marques nasceu em 1949, em Murtosa, distrito de Aveiro. O seu pai, que se familiarizara com as margens da Terra Nova como pescador de bacalhau na Frota Branca Portuguesa, emigrou para o Canadá em 1957. A mãe de Domingos e seus irmãos juntaram-se mais tarde ao seu pai. Domingos permaneceu em Portugal para continuar os seus estudos no seminário, onde ele estava matriculado desde os 10 anos de idade. Ele juntou-se à sua família no Canadá no verão de 1968, tinha 19 anos de idade.
Em algumas partes de Portugal, naquela época, estudar para o sacerdócio era a única maneira pela qual as crianças de classe baixa podiam obter mais do que uma educação básica. Em parte, Domingos veio para o Canadá com o desejo de tirar um ano sabático, antes de avançar para o estágio final dos seus estudos e meditar se deveria ou não ser sacerdote.
Durante este período, Domingos fez voluntariado na Igreja de Santa Maria, a maior paróquia portuguesa de Toronto na época. O Padre Alberto Cunha aproveitou o facto de que Domingos, ao contrário de outros jovens da comunidade, era formalmente educado em assuntos religiosos e seculares e convidou-o para organizar o grupo de jovens da paróquia.
Ele desempenhou esse papel por alguns anos, até que decidiu interromper os seus estudos para o sacerdócio e terminar o seu relacionamento com a Santa Maria.
Domingos Marques envolveu-se com a imprensa de imigrantes portugueses logo que chegou ao Canadá.
A sua primeira experiência de trabalho como jornalista começou em 1969 com O Jornal Português, um jornal que pertencia ao Padre Alberto Cunha da Igreja de Santa Maria e dirigido por Fernando Pedrosa. Aqui, ele trabalhou perto de 60 horas por semana, inclusive ajudando no Centro Paroquial de Santa Maria, pelo qual recebia 65 dólares.
Como estudante universitário em Sociologia, em meados da década de 1970, Domingos começou a trabalhar para o West End Y.M.C.A. onde foi contratado para coordenar o projeto de verão “Learning to Cope”. Os seus objetivos eram fornecer um serviço de porta aberta para imigrantes que necessitassem de assistência, desde o preenchimento de formulário básico ou a interpretação, ao aconselhamento complexo, e preparar um folheto com um diretório de serviços sociais, além de promover esses serviços em toda a comunidade.

Domingos Marques, sentado no topo do comboio, representa O Jornal Português, durante uma excursão a Thunder Bay e Kenora com representantes de vários jornais étnicos. A viagem, que aconteceu no verão de 1970, foi organizada pelo governo do Ontário para promover a província.

Aqui conheceu João (John) Medeiros, juntando-se a ele na organização do Movimento Comunitário Português, cujo objetivo era disponibilizar informações e outros serviços sociais para a comunidade portuguesa. Durante este período, começando a ter conhecimento dos muitos problemas que afetavam os imigrantes da classe trabalhadora e a comunidade portuguesa, Domingos começou a se interessar pelo ativismo social, o desenvolvimento comunitário e a política.
Ao longo da sua vida, Domingos esteve envolvido em organizações comunitárias e advocacia social em vários papéis. Em 1988, Domingos concorreu sem sucesso como um candidato independente para conselheiro do Metro Separate School Board, nos bairros 3 e 4 de Toronto. Ele seria finalmente eleito em 1991, desta vez contando com o apoio do Partido Nova Democracia (NDP), em 1991. Ele cumpriu um mandato no Conselho, não tendo conseguido a reeleição em 1994.
Domingos também foi um dos primeiros presidentes da Aliança dos Clubes e Associações Portuguesas do Ontário (ACAPO).
O amor de Domingos pela história e a sua inclinação para o jornalismo, levaram-no a publicar outro livro sobre a história dos imigrantes portugueses no Canadá, desta vez com a sua futura esposa, Manuela Marujo, intitulado “With Hardened Hands: uma história pictórica da imigração portuguesa para o Canadá na década de 1950” (1993). As transcrições das entrevistas com alguns dos primeiros imigrantes portugueses, realizadas por Marques e Marujo, durante as suas pesquisas para este trabalho, estão disponíveis nos Arquivos de Clara Thomas. Entre 1996 e 1998, conduziu a Silva Magazine, uma revista generalista, virada para o futuro, escrita em português e inglês.


via Milenio Stadium