Poderá ser apenas a segunda vez esta década que os dois guarda-redes são portugueses. A última foi em 2010, também no Dragão.
De um lado Vítor Baía, Zé Beto, Américo ou Barrigana. Do outro Quim, Manuel Bento, José Henrique ou Costa Pereira. O Clássico FC Porto-Benfica teve ilustres figuras nas balizas com sangue português a correr nas veias. E na sexta-feira, no Dragão, a história deverá ganhar novo capítulo.
Inesperado, claro está. Quem, quando a temporada arrancou, adivinharia que, por esta altura, seriam José Sá e Bruno Varela os donos das balizas de FC Porto e Benfica? O futebol tem estes imponderáveis e, nesta altura, parece muito pouco provável que qualquer um deles não defenda as redes da sua equipa hoje, sexta-feira.
Se começamos o artigo referindo vários portugueses que fazem parte da história deste duelo mítico, convém reforçar que os anos mais recentes apagaram a tendência lusa na baliza. Na década atual, apenas por uma vez, em jogos da Liga, os dois titulares foram portugueses.
Foi logo no início, em 2010, num jogo no Dragão que o FC Porto venceu por 3-1. Quim foi o titular no Benfica durante praticamente toda a época, Beto assumiu a baliza do FC Porto na reta final, face a lesão de Helton. Aliás, nesse duelo até os suplentes eram portugueses: Nuno Espírito Santo no FC Porto e José Moreira, no Benfica.
Para José Sá e Bruno Varela este será o primeiro capítulo em Clássicos, sendo que a temporada de ambos foi bastante diferente. Em crescendo a do portista, com altos e baixos a do guardião encarnado. E com um ponto importante: para ambos, um bom ano pode valer uma vaga no Mundial 2018. O Clássico interessa, por isso, também ao selecionador Fernando Santos.
José Sá: o improvável titular que vai ganhando espaço
A época começou como a anterior, na sombra de Iker Casillas, e o arranque brilhante do espanhol (o melhor da carreira no que aos golos sofridos diz respeito) não deixava antever grande espaço para o português. Estreou-se na Taça de Portugal contra o Lusitado Évora, como é habitual na competição, mas logo a seguir veio a maior surpresa de todas: titular em Leipzig para a Liga dos Campeões.
A poeira demorou a assentar, mas José Sá foi validando a aposta inesperada de Sérgio Conceição com atuações seguras, com Istambul à cabeça.
Agora vem aí o Clássico, onde Casillas até costumava brilhar, e o holofote continuará bem aberto na direção do português, que já vai, de resto, na segunda melhor série na Liga em toda a carreira. Só por uma vez tinha sido titular em quatro jornadas seguidas, numa série em que chegou às seis, no Marítimo, em 2013/14.
José Sá em 2017/18
Liga: 4 jogos, 2 golos sofridos (0.5 por jogo)
Champions: 3 jogos, 5 golos sofridos (1.7 por jogo)
Taça de Portugal: 1 jogo, 0 golos sofridos
Taça da Liga: 1 jogo, 0 golos sofridos
TOTAL: 9 jogos, 7 golos sofridos (0.8 por jogo)
Bruno Varela: o regresso ao Dragão onde não fez amigos
Tal como José Sá, era suposto que Bruno Varela fosse o número 2 do Benfica. A boa temporada em Setúbal levou as águias a resgatarem-no e a lesão de Júlio César abriu-lhe as portas da titularidade logo no início da temporada.
Jogou na Supertaça, começou a jogar na Liga e foi ganhando o seu espaço. Contudo, não convencia totalmente a crítica e o momento titubeante da equipa também não ajudava. Foi titular até ao jogo do Bessa, altura em que foi infeliz no golo da vitória dos axadrezados. Com Júlio César recuperado, Rui Vitória aproveitou a deixa e devolveu o brasileiro à baliza.
O momento físico é que não era o ideal e pouco depois nova lesão obrigou a mudar. Aí, seduzido pela exibição na Taça de Portugal, o técnico deu a baliza a Mile Svilar que foi o dono das redes até ao regresso do português na Taça de Portugal. Uma gripe do belga, consumada com a indefinição física de Júlio César deu uma nova vida a Varela, titular em Moscovo, no adeus à Champions, e de volta ao campeonato, frente ao V. Setúbal, já com Svilar no banco.
Assim, no Dragão deverá ser mesmo Bruno Varela a defender, voltando a um estádio onde não deixou amigos, depois da exibição que irritou o FC Porto na temporada passada, num duelo marcante em que o Vitória sadino impediu os azuis e brancos de roubarem a liderança ao Benfica.
Bruno Varela em 2017/18
Liga: 7 jogos, 5 golos sofridos (0.7 por jogo)
Champions: 2 jogos, 4 golos sofridos (2 por jogo)
Taça de Portugal: 1 jogo, 0 golos sofridos
Supertaça: 1 jogo, 1 golo sofrido (1 por jogo)
Total: 11 jogos, 10 golos sofridos (0.9 por jogo).