O ministro das finanças de Ontário anunciou sexta-feira (20) a cedência de 256 camas para melhorar os cuidados continuados dos idosos da comunidade portuguesa. As camas deverão integrar o Magellan Community Care, um projeto destinado aos portugueses.
O Centro irá receber também falantes da língua de Camões oriundos do Brasil, Angola, Cabo Verde e de outras partes do mundo. Independentemente dos liberais vencerem ou não as próximas eleições as 256 camas estão garantidas, disse o ministro.
Em declarações ao Milénio Stadium, Charles Sousa explicou que esta reivindicação é antiga. “Os portugueses precisam de um Centro como este há mais de 30 anos e eu desde que entrei na política que tenho lutado para que fosse uma realidade”, afirmou.

Apesar de Davenport ser o berço da comunidade portuguesa e o bairro com mais luso-descendentes do país, a localização do futuro centro ainda não está definida. “Gostava que ficasse localizado em Davenport mas não descartamos a hipótese de ser construído em Mississauga ou em Etobicoke porque a nossa comunidade tem crescido muito”, justificou.

Questionado sobre os valores mínimos para construir uma centro desta natureza, o ministro garante que é difícil avançar com números. “Não sei quanto poderá custar o Magellan Community Care, mas as licenças são muito mais caras do que a aquisição ou construção da propriedade”, adiantou.
Charles Sousa gostava de ser recordado pelo seu legado. “Na minha família sempre foi importante dar. Sou ministro graças ao apoio da comunidade portuguesa e agora chegou a altura de retribuir esse apoio. Este é o meu legado”, disse.

O projeto está a ser pensado há cerca de dez anos e conta com um núcleo de três empresários luso-canadianos. Jack Prazeres, da Senso Building Supplies; John Peter Ferreira, advogado e Manuel DaCosta, da Viana Roofing & Sheet Metal.
Jack Prazeres sublinhou a importância da dimensão deste apoio. “Na província inteira só existem dois ou três centros que têm mais camas. Para ser um projeto viável precisávamos no mínimo de 160 camas. Temos de deixar de ser críticos e pessimistas e pôr mão à obra”, avançou.

Questiona sobre a possibilidade de este ser o primeiro passo para a construção da Casa de Portugal, o empresário respondeu da seguinte forma: “Esta pode ser uma das primeiras pedras da Casa de Portugal, era fantástico se pudéssemos fazer como os italianos e reunir tudo no mesmo espaço”, referiu.
A comunidade portuguesa era uma das únicas que não tinha um centro de cuidados continuados. Manuel DaCosta alertou para a necessidade de criar uma comunidade e de continuar a envolver a sociedade civil. “Temos de criar uma comunidade e não um simples prédio. Sempre pressionei o governo para que este Centro fosse uma realidade. Vamos manter a esperança e continuar a envolver todos os sectores da sociedade neste projeto”, contou.

Cristina Martins, MPP de Davenport, explicou a importância de ter cuidados continuados na língua materna. “Alguns dos nossos idosos nunca aprenderam inglês, mas mesmo para aqueles que falam é sempre diferente comunicar através da língua materna. Tem um valor afetivo completamente diferente”, garantiu.
José Eustáquio, ex-presidente da ACAPO, falou-nos sobre a história que viveu na primeira pessoa. “Perdi o meu pai há pouco tempo mas acredito que se ele tinha beneficiado deste Centro era capaz de ter vivido mais tempo. É muito importante contarmos com o auxílio de pessoas que falam português, onde são servidas refeições portuguesas, onde se ouve o fado, se assiste a um jogo do Benfica ou se joga às cartas. Tudo isto ajuda a viver”, justificou.

As 256 camas representam um investimento de 50 milhões de dólares e o anúncio decorreu no restaurante Via Norte na College Street.


via Milenio Stadium