“Danforth é uma comunidade forte”, estas são as palavras de Dino Voidonicolas, BIA da área de Danforth, que aceitou dar uma entrevista exclusiva ao Milénio Stadium, no seu escritório, a poucos metros do local da tragédia.

No passado domingo duas pessoas morreram e 13 ficaram feridas num ataque em Greektown, um bairro que concentra uma grande comunidade grega em Toronto. As vítimas são duas raparigas com 10 e 18 anos, respetivamente. Segunda a polícia, o suspeito é Faisal Hussain de 29 anos. A família disse que o filho sofria de “problemas graves de saúde mental, inclusive psicose e depressão”.

O episódio aconteceu na interseção da Danforth Avenue com a Logan Avenue por volta das 10 da noite. O tiroteio decorreu numa área bastante popular, próxima da baixa de Toronto, onde existem vários restaurantes, cafés e lojas.

Num vídeo partilhado na internet, vê-se um homem, com um boné e roupas escuras, que carrega um saco ao ombro e que é visto a parar no passeio antes de puxar de uma arma e começar a disparar.

Três dias depois de Toronto anunciar que 200 policias iam passar a fazer horas extra no período mais crítico, entre as 7 da noite e as 3 da manhã, o número de tiroteios na cidade subiu para 228 e já fez 29 mortos. Recorde-se que na semana passada o presidente da Associação da Polícia de Toronto, Mike McCormack, disse ao nosso jornal que é urgente a contratação de mais polícias e que há uma oferta de armas no mercado que é preocupante.

Dino Voidonicolas está há vários anos no BIA de Danforth e fez questão de elogiar ao nosso jornal a atuação da polícia. “A polícia foi extraordinária na noite do acidente, ele podia ter morto muito mais pessoas. Mas são demasiados tiroteios nas últimas semanas”, disse.

Voidonicolas já passou a casa dos 70 anos e faz críticas à cidade. “O número de polícias não é suficiente. E têm que dar poder à polícia, os políticos não deixam as autoridades trabalharem”, avançou.

Em agosto o Greektown recebe um dos maiores festivais de rua de Toronto– o Taste of Danforth. Durante três dias o evento celebra a cultura grega e atrai mais de 1 milhão e meio de pessoas. Dino não está preocupado com a segurança do festival. “Acho que as pessoas vão querer passar uma mensagem diferente, acredito que vão aderir em massa ao nosso festival e mostrar que não têm medo”, referiu.

Voidonicolas cresceu neste bairro, uma área repleta de negócios locais e familiares. “As pessoas aqui tinham laços fortes de amizade, era uma comunidade pequena, mas forte. Hoje temos pessoas novas no nosso bairro, pessoas que vêm de todo o lado do mundo”, explicou.

Dino já não mora no bairro, mas garante que passa muitas horas no seu escritório que está localizado a poucos metros do local da tragédia e que agora está repleto de flores e de mensagens de força e de esperança. “Precisamos de mais amor, não precisamos de mais ódio” e “Sê forte Danforth” são duas das mensagens que encontramos no chão, junto a uma fonte de água.

Voidonicolas reclama mais patrulhamento nas ruas e mais câmaras de segurança um pouco por toda a cidade.

O primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, enviou as suas condolências às vítimas e à cidade e o presidente da Câmara de Toronto, John Tory, afirmou que o ataque foi “desprezível” contra “pessoas inocentes que desfrutavam de uma noite de domingo”.

O chefe da Polícia de Toronto, Mark Saunders, não sabe o que motivou o ataque e reconhece que este verão se tem assistido a uma onda de violência atípica em Toronto.

O caso está a ser investigado pelas autoridades e a tese de terrorismo não está confirmada.


Source:Joana Leal/MS