Michael Gonçalves e Daniel Ramalho são dois jovens luso-canadianos que querem que o governo olhe com mais atenção para esta nova geração de jovens. Os dois votaram este ano, pela primeira, nas eleições de Ontário. E quando falámos ainda não sabiam quem era o vencedor.

Em declarações ao Milénio Stadium, Michael Gonçalves, um jovem artista de 19 anos, disse que era uma bom poder votar pela primeira vez. “Sabe muito bem poder exercer este direito e sentir que a minha voz pode ser ouvida. Acho que os portugueses deveriam votar mais aqui no Canadá, mas acredito que tudo está a mudar com a nova geração”, explicou.

Gonçalves gostava que o novo primeiro-ministro continuasse a apoiar os jovens empreendedores. “Como jovem artista a trabalhar em Toronto, tenho testemunhado muito talento e acredito que temos mesmo alguns dos melhores criadores do mundo. Espero que o novo governo dê continuidade a isto”, defendeu.
O jovem artista mora na área de St. Clair e Dufferin e gostava que Toronto tivesse “mais espaços comunitários, mais zonas verdes e casas mais acessíveis. Sei que não é fácil, mas toda a gente tem direito a uma habitação digna”, sublinhou.

Em janeiro de 2018 o governo de Ontário alargou os benefícios do OHIP, o seguro de saúde público da província. Até aos 25 anos todos os jovens têm medicamentos gratuitos. A medida agradou a Michael Gonçalves, que garante que é “um alívio no orçamento familiar” e independentemente de que seja o vencedor das eleições, o jovem quer que “o governo continua a lutar pelos valores canadianos e pelos direitos da classe média e dos mais favorecidos”.

Daniel Ramalho tem 20 anos, votou pela primeira vez nas eleições provinciais e está à procura de emprego. “Este ano achei que estava mais envolvido e quis contribuir para o futuro do país. Não sei qual é o melhor candidato, julgo que cada um deve ter a sua própria opinião, mas não me revejo nos conservadores. O Doug Ford diz muita coisa mas nós não podemos acreditar em tudo o que ele diz”, avança.

Ramalho quer mais investimento em transportes públicos e em educação.“Tenho carta de condução e noto que há cada vez mais trânsito. Acho que é preciso fazer em transportes e em educação. Os propinas são muito caras e nem todos os jovens podem tirar um curso superior em Ontário”, justificou. O luso-canadiano frisou que o voto “nem sempre sempre foi um direito” e que “os jovens têm a dever de exercer a cidadania”.

Francisco Pegado esteve nas assembleias de voto de Toronto e lamentou a fraca adesão eleitoral no período da manhã. “Tive em duas áreas, na Bloor e Perth e na St. Clair e Lansdowne, e achei que quem votava eram sobretudo idosos, vi alguns portugueses, não muitos. Tenho pena porque gostava de ter visto mais gente nas urnas”, adiantou.
Pegado nasceu em Angola e está há mais de dez anos em Toronto. Esta é a segunda vez que participa nas assembleias de voto e Pegado está confiante na reeleição luso-canadianos. “Acredito que a Cristina Martins e o Charles Sousa vão ganhar, eles são muito importantes para a comunidade portuguesa. Eles são competentes, respeitados e precisamos deles na política”, afirmou.

Questionado sobre problemas em algumas das urnas de voto eletrónicas da cidade, Pegado garantiu que nas áreas onde esteve não houve incidentes a registar. “Algumas pessoas perguntavam-se se precisam da identificação para votar, se estavam a votar no lugar certo e como é que as novas máquinas funcionavam. Mas foi tudo tranquilo”, assegurou.


via Milenio Stadium