Município homenageou 5 nazarenos

O Rancho de Folclore da Nazaré fez 59 anos, foi o primeiro grupo folclórico português a ser criado no Canadá. O grupo homenageia aquela que é a vila piscatória mais pitoresca de Portugal e como não podia faltar, cada uma das mulheres exibe as sete sais da Nazaré. O traje típico é composto por chinelas, blusa bordada, um xaile e um lenço.

As sete sais da Nazaré têm vários significados, um dos mais comuns é a possibilidade de representarem as sete ondas de mar que um barco precisava de esperar até conseguir encalhar na areia. Em dia de aniversário, José Mafra, presidente e coreógrafo do rancho, explicou ao Milénio Stadium a importância desta data. “Têm sido 28 anos de dedicação e de lealdade de todos nós. Comecei a treinar pessoas que hoje são pais de elementos que fazem parte do grupo. Tenho muito orgulho por ter dado continuidade ao primeiro grupo da diáspora. Ainda há duas semanas atuamos nos EUA, em New Jersey”, avançou.

O Rancho de Folclore da Nazaré tem 32 elementos e cada um deles dança descalço. As letras e as músicas refletem a forte ligação dos nazarenos com o mar e com a pesca e “Não vás ao mar Tonho” e “Corridinho remexido” foram alguns dos temas que o grupo dançou na noite do aniversário.

Existem alguns capítulos que marcam a história deste grupo. Em 1964 o Rancho da Nazaré foi eleito o melhor grupo de folclore num festival que decorreu em Toronto e onde estiveram representados 36 países. Em 1976 este Rancho esteve presente na abertura dos Jogos Olímpicos em Montreal e em 2003 integrou o videoclipe da música “Powerless” do álbum “Folklore” da luso-canadiana Nelly Furtado.

Este ano a autarquia da Nazaré homenageou cinco nazarenos que contribuíram para promover a cultura portuguesa deste lado do Atlântico.  Amadeu Caria Vaz e António Sousa, fundadores do Rancho da Nazaré de Mississauga e do First Portuguese Canadian Club; Charles Sousa, ex-ministro das Finanças de Ontário; José Maria Eustáquio, fundador da Academia do Sporting de Toronto e José Mafra, presidente do Rancho da Nazaré.

“Sinto-me em casa. É a terceira vez que venho a Toronto e não vai ser a última de certeza. Queremos reconhecer aqueles que levam o nome da Nazaré bem alto e queremos tornar estas homenagens mais frequentes”, disse Walter Chicharro, presidente da Câmara Municipal da Nazaré.

O autarca fez-se acompanhar por Manuel Sequeira, vice-presidente da Câmara Municipal da Nazaré que é também responsável pelo pelouro da cultura. “Nós sentimos que as nossas origens estão também representadas aqui e achámos que o aniversário do rancho foi motivo para deslocarmos a autarquia em peso ao Canadá, neste caso até Toronto. A Nazaré em tempos vivia da pesca, mas hoje o turismo é o nosso elã e temos de aproveitar esta onda”, explicou o número dois da Câmara.

Charles Sousa, filho de António Sousa, um dos primeiros portugueses a emigrar para o Canadá em 1953 no Saturnia, foi um dos homenageados da noite. Apesar de já ter nascido em Toronto, o ex-ministro das Finanças de Ontário tem muitas recordações da Nazaré. “Tenho muito orgulho no trabalho que a minha família tem desenvolvido para manter a cultura portuguesa viva no Canadá. A minha avó era peixeira e o meu avô era comerciante. Quando era criança íamos lá todos os verões e lembro-me de passearmos no paredão e de nadar com os meus amigos mesmo quando a bandeira estava vermelha”, contou.

José Maria Eustáquio nasceu em Peniche e emigrou há mais de 40 anos. Em Toronto fundou a Academia do Sporting e foi presidente da ACAPO durante vários anos. “Os meus pais emigraram e com três anos eu fiquei com os meus avós na Nazaré. E foram os melhores tempos da minha vida. O meu pai trouxe-me um macaco de África e durante seis meses fui a criança mais popular da Nazaré”, admitiu.

Foi no século XX que a Vila da Nazaré passou a ser procurada por turistas de todo o mundo. Chicharro adverte que a abertura do Aeroporto de Monte Real à aviação civil poderá ser uma boa opção para a vila. “O Aeroporto de Lisboa está a ficar sem capacidade e o de Monte Real que fica a apenas 20 minutos da Nazaré poderia ser um ativo interessante para receber voos low cost e de companhias canadianas”, sugeriu.

A Nazaré é conhecida por ter as maiores ondas do mundo, um fenómeno que o surfista norte-americano Garrett McNamara colocou nas bocas do mundo em 2011. A projeção mundial fez com que a vila se tornasse uma meca para os surfistas e recebesse os maiores campeonatos internacionais de surf. As ondas já chegaram à CBS e ao New York Times e este ano a autarquia esteve a promover a vila, junto com o Turismo de Portugal, no Times Square em Nova Iorque.

“Em 2013 o ascensor da Nazaré tinha transportado 600,000 pessoas enquanto que em 2017 chegámos às 950,000. O Forte de São Miguel Arcanjo abriu em 2014 e já foi visitado por mais de meio milhão de pessoas. Instalámos cinco câmaras na Praia do Norte e quando temos ondas gigantes transmitimos em direto para o nosso facebook”, informou Walter Chicharro.

No final quisemos saber se o autarca já se tinha convertido ao surf, uma prática que traz milhares de surfistas aquela vila piscatória do distrito de Leiria. “Já comecei a fazer stand up paddle board e tenho algumas aulas de surf marcadas para breve (risos)”, garantiu Walter Chicharro.


Joana Leal/MS