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O que vai mudar nos filmes (e séries) de Hollywood em tempos de pandemia?

Written by on April 29, 2020

A grande indústria do cinema está a pensar em formas de voltar a abrir, mas nada será como dantes.

 

 

Foram muitos os setores que tiveram de parar completamente face à pandemia global do novo coronavírus. O do cinema e da televisão foi um deles. Afinal, numa altura em que o distanciamento social é tão importante, seria difícil manter a rodagem de projetos que muitas vezes envolvem a presença física de dezenas ou centenas de profissionais, todos a partilhar os mesmos espaços, muitas vezes sem grandes condições para manter a distância e não promover a possibilidade de contaminação.

Isso fez com que filmes que só iriam estrear no verão do próximo ano, como, por exemplo, a versão de “Batman” com Robert Pattinson, fossem adiados pelo menos vários meses, já que grande parte das gravações foram canceladas.

Em simultâneo, os filmes que estavam prontos e prestes a estrear tiveram os seus lançamentos adiados. As salas de cinema em grande parte do planeta encontram-se encerradas ou com grandes medidas de restrição, pelo que estrear esses projetos agora seria um desastre económico ainda maior.

A situação, por isto mesmo, não se adivinha fácil — até porque não há fim à vista para uma diminuição substancial no número de novos casos de Covid-19 nos EUA, e a situação está longe de estar controlada, tendo em conta a dimensão do país e a dificuldade de travar o número exponencial de contágios.

No entanto, na indústria de Hollywood já se fala de voltar ao trabalho — ou pelo menos pensa-se em formas seguras de o fazer, para salvaguardar as produções que estavam ou iam estar em andamento, os postos de trabalho, e os investimentos milionários que já tinham sido feitos pelos grandes estúdios.

 

Afinal, o que pode mudar nas gravações de um filme nos próximos tempos?

Os grandes estúdios de Hollywood têm mantido conversas constantes com as autoridades de saúde e os sindicatos que representam os profissionais do setor. Não há quaisquer certezas sobre quando poderão recomeçar as gravações em termos gerais, mas há várias pistas que já antecipam o que vai acontecer nas filmagens daqui para a frente — pelo menos enquanto a situação não estiver realmente controlada.

Certo é que os ambientes familiares com visitantes nos sets e uma mesa de snacks em que toda a gente come durante as pausas acabaram — assim como as grandes produções internacionais. Os primeiros projetos a voltarem a gravar serão os mais pequenos, que exigem menos profissionais presentes, e as produções que serão feitas totalmente em estúdios — sendo que muitas das que não eram para ser, estão a ser repensadas para que possam ser feitas dessa forma.

A revista “The Hollywood Reporter”, que falou com várias fontes da indústria, diz que é provável que daqui para a frente todos tenham de usar máscaras e luvas nas gravações — tirando os atores, claro.

A publicação americana diz ainda que está a ser estudada a possibilidade de não se fazer quaisquer tipos de cenas íntimas nos próximos meses, para que os atores não tenham contacto próximo quando as respetivas personagens se beijarem, por exemplo. Uma alternativa poderá ser ter os atores a gravar as cenas em separado e juntá-los em pós-produção, um método que já foi usado várias vezes.

Todos os materiais usados terão de ser desinfetados e alvo de uma limpeza maior — sendo que alguns equipamentos poderão mesmo ter de passar por checkpoints onde certas equipas vão tratar desse processo. Também será necessário tornar descartáveis utensílios usados pela equipa de maquilhagem e cabelo, como explica a revista “Variety”. Nalguns estúdios já estão a ser instaladas estações para lavar e desinfetar as mãos frequentemente.

O que também é provável é que o acesso a determinado estúdio ou local de gravação seja mais restrito — com menos visitantes, menos figurantes e talvez até só com certas pessoas da equipa de produção, que sejam mesmo necessárias para cada cena ou para cada processo de trabalho.

Além disso, é possível que se criem mais turnos de pausas e de almoço para que nem todos os membros do staff o façam ao mesmo tempo, criando um maior distanciamento dentro dos estúdios. A “The Hollywood Reporter” diz ainda que talvez sejam preparadas refeições individuais — como num serviço de um avião — para entregar a cada pessoa.

Muitos defendem ainda que deve ser medida a temperatura de todas as pessoas que entram no set, e que se deve testar ao máximo — tanto para a própria Covid-19 como para o grau de imunidade face ao novo coronavírus.

Outra das soluções pensadas inclui uma estadia — ou seja, durante o período de gravações, a equipa está sempre num local específico, seja num hotel ou num conjunto de habitações, sem poder visitar familiares ou amigos, reduzindo assim a exposição a potenciais contágios.

Vários estúdios encontram-se também a olhar para o mapa mundo para perceber em que países poderiam fazer gravações de forma mais natural e despreocupada — se forem territórios pouco afetados pela pandemia. A Netflix, por exemplo, continua a gravar na Coreia do Sul, que, apesar de continuar a ter novos casos de infeção, tem sido apontado como um bom exemplo na forma como tem lidado com a situação, controlando a pandemia com as medidas que tomou.

Apesar disso, há muitas restrições de voos nos EUA ainda vigentes que se deverão prolongar durante mais algum tempo. A fronteira com o Canadá, onde também são gravadas muitas produções de Hollywood, continua encerrada.

E um dos maiores problemas por resolver prende-se com a confiança dos profissionais. A “The Hollywood Reporter” diz que vários produtores e atores mostraram-se apenas dispostos a trabalhar perto de casa, para não correrem riscos de segurança. Algumas estrelas de Hollywood dizem mesmo que não estão disponíveis para trabalhar mais este ano, o que poderá levantar grandes problemas para certos filmes. Isto sem contar com todos os atores estrangeiros que voltaram a casa nas últimas semanas.

Tudo isto vai representar um aumento significativo nas despesas dos estúdios — que por si só já se encontram bastante frágeis financeiramente, com o encerramento dos cinemas e a interrupção das gravações. Fala-se também da possibilidade de reduzir os tempos de refeições para aumentar as horas de trabalho e de dar menos hipóteses aos realizadores para repetirem takes, para que os filmes sejam feitos em menos tempo, diminuindo os custos.

 

Vai ser uma época de prémios muito estranha

Ainda é cedo para falarmos sobre o assunto, mas a próxima época de prémios do cinema, que acontece sobretudo no inverno, será no mínimo diferente. Com os cinemas encerrados, muitos dos filmes que deveriam estar a estrear agora estão a ter as respetivas datas de lançamento empurradas para a frente — o que poderá fazer com que os filmes que iriam estrear no verão ou no outono também sejam adiados, e por aí adiante.

O calendário vai mudar e muitos filmes candidatos aos grandes prémios, que costumam ser apresentados no final do outono e início de inverno, podem ter as voltas trocadas com todas estas alterações.

Além disso, os festivais de cinema muito provavelmente não vão acontecer dentro da normalidade — mesmo aqueles para os quais ainda faltam vários meses, como o de Veneza, que costuma acontecer em setembro. Normalmente são eventos para profissionais do meio onde começam a nascer as corridas aos grandes prémios da indústria, como os Óscares ou os Globos de Ouro.

Desta vez, é expectável que sejam festivais mais locais, com programações mais viradas para os respetivos mercados — o que poderá fazer com que não influenciem tanto a época de prémios. No entanto, nada tema, a “IndieWire” diz que é impensável que os Óscares não venham a acontecer no início do próximo ano. Segundo a revista americana, a academia de Hollywood — que é não-lucrativa — precisa da gala televisiva para financiar toda a sua atividade e, essencialmente, existir. Resta saber que filmes é que poderão receber estatuetas douradas no próximo ano.

 

Fonte: NIT.pt

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