2024 na música: as homenagens, os prémios e as distinções
Written by Fabiane Azevedo on December 17, 2024

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Taylor Swift faz história nos Grammys
A 66ª edição dos Grammys realizou-se a 4 de fevereiro na Crypto.com Arena, em Los Angeles, Estados Unidos. A apresentação da cerimónia da Academia de Artes e Ciências de Gravação ficou nas mãos do comediante Trevor Noah.
Taylor Swift fez história na edição de 2024, ao tornar-se a primeira artista a vencer o Grammy de Melhor Álbum pela quarta vez. A norte-americana conseguiu o feito com o disco “Midnights”, sendo que, até ao momento, apenas três artistas tinham vencido o Grammy de Álbum do Ano três vezes: Frank Sinatra, Paul Simon e Stevie Wonder. Swift também levou para casa a estatueta de Melhor Álbum Pop Vocal.
Celine Dion foi quem anunciou Taylor Swift como a vencedora do Álbum do Ano – a estatueta mais cobiçada da noite. A cantora e compositora levou para o palco Lana Del Rey, o produtor Jack Antonoff e a engenheira de som Laura Sisk, a quem agradeceu. Quando ganhou o Grammy de Melhor álbum Pop Vocal, também com “Midnights”, Taylor Swift anunciou o lançamento de mais um disco. “The Tortured Poets Department” foi editado a 19 de abril.
Phoebe Bridgers foi galardoada com quatro estatuetas, três das quais com a banda Boygenius. A norte-americana venceu nas categorias de Melhor Canção Rock e Melhor Interpretação Rock, pelo tema ‘Not Strong Enough’, e Melhor Álbum Alternativo pelo disco de estreia do grupo, “The Record”. O outro Grammy que foi parar às mãos de Bridgers foi na Melhor Interpretação em Duo/Grupo, ao lado de SZA, pela canção ‘Ghost in the Machine’. Foi em 2024 que Miley Cyrus conquistou o primeiro Grammy da carreira. A norte-americana venceu em duas categorias: Melhor Atuação Pop a Solo e Gravação do Ano, com o single ‘Flowers’.
SZA, o rapper Killer Mike e Victoria Monét levaram para casa três estatuetas cada. Billie Eilish e Finneas (irmão e companheiro criativo da artista de Los Angeles) venceram na categoria de Canção do Ano com ‘What Was I Made For?’, tema que faz parte da banda sonora do filme “Barbie”. Os Paramore vencerem os Grammys de Melhor Álbum Rock, pelo disco “This Is Why”, e de Melhor Interpretação de Música Alternativa, com o single ‘This Is Why’.
Os veteranos Metallica venceram o Grammy de Melhor Interpretação de Metal, categoria que venceram pela sétima vez. Agora foi com o tema ’72 Seasons’. Também em 2024 Kylie Minogue voltou a vencer um Grammy após um intervalo de 20 anos. A cantora australiana levou a melhor na categoria de Melhor Gravação de Pop Dançante, com o single ‘Padam Padam’.
Os Beatles voltaram a fazer parte da lista de vencedores dos Grammys, desta vez na categoria de Melhor Vídeo de Música. O feito foi conseguido com o videoclipe de ‘I’m Only Sleeping’ (tema de 1966), realizado pela britânica Em Cooper. Brett Morgen ganhou na categoria de Melhor Filme de Música com “Moonage Daydream”, filme sobre David Bowie.
Os tributos na cerimónia
A escocesa Annie Lennox foi a escolhida para homenagear Sinéad O’Connor (falecida em 2023). A cantora e ativista ofereceu ao mundo uma emotiva versão de ‘Nothing Compares To You’, canção composta por Prince mas que ficou para a história na voz da cantora irlandesa.
A histórica Joni Mitchell conquistou o 10º Grammy da longa carreira. Aos 80 anos de idade, a dona de ‘River’ conquistou a grafonola dourada na única categoria para a qual estava nomeada, a de Melhor Álbum Folk. A cantora e compositora ganhou a estatueta com o disco ao vivo “Joni Mitchell at Newport”. Shane MacGowan (dos Pogues), Jane Birkin ou o compositor japonês Ryuichi Sakamoto também foram lembrados no momento “In Memoriam” (que presta homenagem aos artistas desaparecidos no ano anterior). Stevie Wonder cantou o tema de Ron Miller, ‘For Once in My Life’, para recordar Tony Bennett.
Tina Turner (falecida em maio de 2023) foi lembrada com uma interpretação que Fantasia Barrino fez de ‘Proud Mary’, um original dos Creedence Clearwater Revival. Embora tenha morrido em 2020, Bill Withers foi recordado por Jon Batiste que cantou dois dos seus temas mais célebres: ‘Ain’t No Sunshine’ e ‘Lean on Me’.
Fantasia Full Tina Turner Tribute Grammy Performance – She did what needed to be done 🔥🔥🔥#Grammys #Fantasia #TinaTurner pic.twitter.com/2FFHlk2PdV
— SHEM (@ShemPinnock) February 5, 2024
Mariah Carey e Lenny Kravitz foram distinguidos com o Global Impact Award – a distinção que reconhece o impacto e a influência de criadores de música negra na indústria musical norte-americana. O prémio sublinha ainda o legado inspirador dos artistas distinguidos, bem como o contributo que deram para mudanças positivas.
Beyoncé foi eleita a maior estrela pop do século 21 pela Billboard
“Beyoncé, que lidera a nossa lista, foi escolhida pela equipa com base na influência, impacto e evolução ao longo de 25 anos, referiu a publicação quando anunciou o nome da artista norte-americana. Taylor Swift ficou em segundo lugar e Rihanna em terceiro.
Taylor Swift, a rainha dos prémios da MTV
A cantora e compositora norte-americana conquistou sete MTV Music Video Awards na cerimónia que aconteceu em setembro, incluindo o de Melhor Vídeo do Ano pelo single “Fortnight” que partilha com Post Malone. Swift, que somava 12 nomeações, voltou a fazer história ao triunfar na categoria principal, de Melhor Vídeo Musical, pela quinta vez.
Na edição dos VMAS 2024, a dona da “Eras Tour” ganhou ainda os prémios de Melhor Artista Pop, Melhor Colaboração, Melhor Canção do Verão, Melhor Realização e de Melhor Edição.
Taylor Swift, de 34 anos, também foi a grande vencedora da cerimónia dos MTV Europe Music Awards que decorreu em Manchester, Inglaterra, tendo arrecadado quatro prémios: Artista do Ano, Melhor Artista Ao Vivo, Melhor Vídeo, com ‘Fortnight’, e Melhor Artista Norte-americana.
Bárbara Bandeira ganhou o Best Portuguese Act pela segunda vez
Ainda sobre os MTV Europe Music Awards, a cantora portuguesa foi quem recebeu o prémio Best Portuguese Act 2024. Foi a segunda vez que Bárbara Bandeira recebeu o prémio, tendo sido também a mais votada em 2022. Na categoria nacional dos prémios europeus da MTV, estavam também nomeados Bárbara Tinoco, Dillaz, Ivandro e Slow J.
Juan Luis Guerra, o conquistador dos Grammys Latinos
O dominicano Juan Luis Guerra foi o artista que conquistou mais estatuetas na edição de 2024 dos Grammys Latinos que teve lugar em novembro, em Miami, nos Estados Unidos.
O músico levou para casa um dos mais importantes troféus da noite, o Álbum do Ano, pelo disco “Radio Güira”, editado em 2023. Guerra ganhou nas categorias Gravação do Ano, Melhor Álbum Merengue/Bachata e Melhor Canção Tropical. A Canção do Ano foi para o uruguaio Jorge Drexler pela composição ‘Derrumbe’.
A colombiana Karol G venceu o Melhor Álbum de Música Urbana, com “Mañana Será Bonito (Bichota Season)”, e o porto-riquenho Luis Fonsi ganhou o Álbum Vocal Pop com “El Viaje”.
Na categoria de Melhor Canção em Língua Portuguesa estava em competição ‘Esperança’ – tema escrito pelos músicos brasileiros Criolo e Amaro Freitas ao lado do produtor brasileiro Nave e com o músico português Dino D’Santiago. Quem venceu foi Jota.Pê com o single ‘Ouro Marrom’.
A Orquestra Jazz de Matosinhos também estava na lista de nomeados. Na categoria de Melhor Arranjo estava ‘Linha de Passe’, tema que conta com arranjos do músico brasileiro Nailor Proveta e que faz parte do álbum “Músicas Brasileiras, Músicos Portugueses”, editado pela orquestra portuguesa em março. O prémio de Melhor Arranjo foi entregue ao pianista cubano-canadiano Hilário Durán, com o tema ‘Night in Tunisia’.
Os recordes de RAYE nos Brit Awards
A londrina RAYE foi eleita como a compositora do ano para os Brit Awards – os prémios que reconhecem os melhores do ano (neste caso de 2023) na indústria musical britânica. A cantora e compositora tornou-se na primeira mulher a receber este reconhecimento. A estatueta de compositor do ano, criada em 2022, já distinguiu Ed Sheeran e Kid Harpoon.
Também neste ano, RAYE já tinha batido o recorde em matéria de soma de nomeações numa só edição dos prémios britânicos, ultrapassando artistas como Craig David, Gorillaz e Robbie Williams.
Na cerimónia de entrega das estatuetas, que aconteceu a 2 de março na famosa O2 Arena, em Londres, Inglaterra, a cantora conquistou seis estatuetas – proeza inédita na história dos maiores prémios da indústria fonográfica britânica.
A dona de ‘Genesis’, de 27 anos, foi a vencedora nas categorias de Álbum Britânico do Ano (pelo disco “My 21st Century Blues”), Canção do Ano (‘Escapism’), Artista Britânica do Ano, Melhor Artista de R&B ou Melhor Revelação. O único Brit para o qual estava nomeada e que acabou por perder foi na categoria de Melhor Artista Pop que foi parar às mãos de Dua Lipa.
Os Bring Me the Horizon levaram para casa o Brit de Artista de Rock/Alternativo, Calvin Harris recebeu o Brit de Melhor Artista de Dança, Casisdead ganhou o Brit de Hip Hop/Grime/Rap. As Last Dinner Party venceram o Brit Award de Estrela em Ascensão.
Kylie Minogue distinguida com o Prémio Brit Ícone Global e com o Prémio Ícone nos prémios Billboard Women in Music
A artista australiana recebeu o Prémio Brit Ícone Global – galardão que reconhece os artistas pela carreira que solidificaram ao longo do tempo. O Brit Ícone Global é o reconhecimento máximo destinado “a artistas verdadeiramente excecionais”.
Aos 55 anos, a cantora, que soma mais de 30 anos de carreira, também foi reconhecida com o Prémio Ícone nos prémios Billboard Women in Music – distinção que recebeu em março. São os prémios que distinguem artistas, criadoras, produtoras ou empresárias do meio musical pelas contribuições à comunidade e à indústria musical.
A colombiana Karol G foi eleita a Mulher do Ano para a Billboard
“Com o seu imenso talento, Karol G criou um movimento para as mulheres do mundo inteiro devido às suas letras empoderadas e confiança inspiradora”, referiu Hannah Karp, diretora editorial da publicação norte-americana. “A edição do inovador álbum ‘Mañana Será Bonito’ provou a sua força nas tabelas em inglês e espanhol. Estamos muito entusiasmados por distingui-la como a Mulher do Ano”, lia-se na nota. A honra de ser reconhecida como a Mulher do Ano pela Billboard já coube a artistas como Olivia Rodrigo, Cardi B, Billie Eilish, Ariana Grande, Selena Gomez, Madonna, Lady Gaga e Taylor Swift.Elton John foi eleito o Ícone do Ano para a revista “Time”, recebeu o primeiro Emmy e foi distinguido com o Prémio Gershwin ao lado do companheiro criativo Bernie Taupin
“Após décadas de hits musicais e lutas pessoais, a lenda da música faz muito mais do que estar de pé”, lia-se na apresentação que a “Time” fez do músico britânico quando anunciou o reconhecimento a 12 de dezembro. A “Time”, que se sentou com o histórico para uma entrevista, sublinhou ainda que “Elton John é uma vela que nunca se extingue independentemente da força do vento, fazendo uma alusão ao tema ‘Candle In The Wind’.
Em janeiro, Elton John conquistou o primeiro Emmy da carreira, com o espetáculo televisivo “Elton John Live: Farewell From Dodger Stadium” que está disponível na plataforma Disney +. A estatueta da indústria televisiva norte-americana junta-se a uma série de estatuetas que Elton John conseguiu arrumar na prateleira ao longo dos anos, como é o caso de Grammys, Brits, MTV Video Music Awards, Óscares, Globos de Ouro e até de um Tony (prémio ligado à Broadway).
Mas há mais. Elton John e Bernie Taupin foram os compositores distinguidos pelo Gershwin Prize para Canção Popular 2024. É o prémio que distingue um compositor ou intérprete pela contribuição que fez para a música popular e foi criado em 2007 pela Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos. Elton John e Bernie Taupin conheceram-se em 1967 e têm composto canções juntos ao longo dos últimos 50 anos. ‘Goodbye Yellow Brick Road’, ‘Don’t Let the Sun Go Down on Me’, ‘Your Song’, ‘Rocket Man’ ou ‘Tiny Dancer’ são alguns exemplos.
“As suas carreiras destacam-se pela qualidade e pelo carisma universal e pela influência ampla noutros artistas”, referia o comunicado da organização do prémio, citado pela revista “People”. “Há mais de 50 anos, conquistaram os americanos e o público no mundo com lindas canções e hinos rock. Estamos orgulhosos por reconhecer o Elton e o Bernie com o Gershwin Prize e pelo impacto que têm em várias gerações de amantes de música”, acrescentava a nota.
“Escrevo canções com o Bernie há 56 anos e nunca imaginámos que este reconhecimento chegasse até nós. É uma honra incrível dois britânicos serem reconhecidos desta forma. Estou muito honrado”, disse Elton John em comunicado.
Na cerimónia de reconhecimento, que teve lugar em março, houve atuações de nomes como Joni Mitchell, Brandi Carlile, Annie Lennox, Charlie Puth e até dos Metallica. A homenagem teve lugar em Washington, D.C, nos Estados Unidos. Artistas como Carole King, Paul McCartney ou Stevie Wonder também quiseram homenagear a dupla criativa. Um dos momentos altos foi quando a histórica Joni Mitchell (a personalidade reconhecida com o mesmo prémio em 2023) deu voz a ‘I’m Still Standing’ – tema editado em 1983. Brandi Carlile e Annie Lennox juntaram-se a Mitchell.
Outro ícone, Lenny Kravitz
Em fevereiro, o norte-americano recebeu o Prémio de Ícone Musical nos People’s Choice Awards 2024 – estatuetas que destacam personalidades em áreas como música, cinema, comédia, televisão ou desporto. A escolha dos premiados é da responsabilidade do público. No discurso que preparou para o momento em que recebeu a estatueta, o músico falou da importância de nos mantermos fiéis a nós próprios e da relevância do amor.
“Em relação à palavra ícone. É uma palavra que significa muito para muita gente, mas, para mim, significa deixar uma marca indelével por ser tal e qual como foi criado por Deus, por ser diferente e ousado”, disse o norte-americano. “A minha música não era negra o suficiente. Não era branca o suficiente. Não encaixava muito bem em rótulos e não soava ao que andava a passar nas rádios na altura”, acrescentou.
“Recusei o dinheiro e as promessas apelativas da fama e do estrelato porque não conseguiria viver comigo se fizesse algo que não fosse autêntico. Um ícone, para mim, é alguém que inspira e ensina os outros a acreditar neles próprios e na direção que escolhem, qualquer que seja essa direção”.
Lenny Kravitz atua na MEO Arena, em Lisboa, a 8 de abril de 2025. O músico vem a Portugal com “Blue Electric Light”, disco que editou este ano.
Mais um ícone, Cher
A edição de 2024 dos prémios norte-americanos iHeartRadio Music distinguiu em abril a veterana Cher com a estatueta que celebra a carreira de um artista e o impacto desta na música e cultura pop. A cantora, de 78 anos, juntou-se a outros nomes que foram reconhecidos com o galardão, como é o caso de Elton John, Jennifer Lopez, Pink ou Bon Jovi.
Billie Eilish tornou-se a pessoa mais nova de sempre a vencer dois Óscares
Aos 22 anos, a cantora fez história ao tornar-se a pessoa mais nova de sempre a vencer dois Óscares. Eilish e Finneas sairam da 96.ª edição dos prémios da Academia com a estatueta pela Melhor Canção Original por ‘What Was I Made For’, a única vitória do filme “Barbie” na cerimónia.
Em 2021, a dupla já tinha recebido um Óscar pela canção ‘No Time to Die’, tema que os irmãos fizeram para o filme com o mesmo título de James Bond.
PLAY, os prémios da música portuguesa
Em maio foram entregues os PLAY, os prémios que reconhecem o melhor do ano em matéria de música que se faz em Portugal. O setubalense Slow J foi distinguido com dois PLAY, o de Melhor Artista Masculino e o Prémio da Crítica.
O Prémio Carreira distinguiu o compositor e maestro António Victorino D’Almeida, sendo que a distinção foi entregue pelo Presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas. “Nós adoramos este homem, homenageamos este homem. Ele é o maestro. É o maestro de uma geração, de um país e de uma Lisboa, porque nasceu aqui na nossa Lisboa”, disse o autarca. António Victorino D’Almeida dedicou algumas palavras ao Coliseu dos Recreios, dizendo ser uma “honra” receber a distinção na sala lisboeta.
‘Maria Joana’, tema que junta Nuno Ribeiro, Calema e Mariza, foi a Melhor Canção de 2023. O rapper T-Rex venceu na categoria de Melhor Álbum, com o registo discográfico “Cor d’Água”, que editou no início de 2023. Bárbara Bandeira venceu na categoria de Melhor Artista Feminina. Os irmãos Calema venceram a estatueta de Melhor Grupo de 2023.
Mercury Prize para os English Teacher
O grupo conquistou o reconhecimento com o álbum “This Could Be Texas”, editado este ano. O Mercury Prize distingue anualmente um disco da música das Ilhas Britânicas de acordo com o critério da criatividade.
Sara Tavares homenageada por amigos no Coliseu de Lisboa
Foi a 19 de novembro, exatamente um ano após a morte de Sara Tavares, que o Coliseu dos Recreios esgotou para homenagear a cantora e compositora. O espetáculo Coisas Bunitas – Celebrar Sara Tavares reuniu artistas, músicos, amigos e fãs da artista que morreu aos 45 anos.
Dino D’Santiago, Slow J, Samuel Úria, Carlão, Ana Moura, Capicua, Djodje, Ivandro, Luiz Caracol, Lura, Miroca Paris, Nancy Vieira, Nenny, Richie Campbell, Selma Uamusse e Toty Sa’Med foram alguns dos nomes que participaram na homenagem que contou ainda com outros artistas e técnicos que trabalharam com a cantora.
O espetáculo esgotou em pouco mais de dez horas e também teve um propósito solidário. “Para dar continuidade a tudo o que a Sara Tavares representa, está a ser desenvolvido o projeto ‘Casa Saracotiar’ (a Casa Sara Tavares) que, um dia, queremos que seja física e na cidade de Lisboa; um lugar onde se continuará a desenvolver e a dar a conhecer mais de perto a Sara Tavares, a sua história, a sua música, o seu legado e que irá continuar a criar pontes, oportunidades, a apoiar e inspirar novos artistas, nas mais diversas formas de arte, através de ações desenvolvidas para o efeito”, lia-se na apresentação do evento, cujos lucros reverteram para o projeto.
Zé Pedro homenageado na freguesia dos Olivais, em Lisboa, lugar onde cresceu
O tributo, que resultou da parceria entre a Junta de Freguesia dos Olivais e a Câmara Municipal de Lisboa, materializou-se numa estátua em tamanho real do músico (criada pelo artista Pedro Barbosa) e numa placa toponímica que deu o nome do carismático guitarrista dos Xutos a um jardim.
O jardim está junto à morada da infância e juventude de Zé Pedro, bem como da garagem de onde saíram os primeiros acordes da banda que fundou em 1979.
“Eu acho que ele iria ficar muito emocionado. E estará certamente a ver-nos nesse dia”, disse-nos Rute Lima, Presidente da Junta de Freguesia dos Olivais, referindo-se ao dia da inauguração, a 30 de novembro, dia que assinalou 7 anos desde a morte do músico. “Esse orgulho estará presente através da presença da família. Acho que ficaria muito orgulhoso porque aquilo que estamos a fazer é imortalizá-lo ainda mais. Vamos trazê-lo de volta ao bairro. Onde quer que ele esteja acho que vai sentir que é um regresso a casa. Vai poder olhar o céu, com todos nós e ao pé de casa”.
Tony Carreira condecorado por Marcelo Rebelo de Sousa em Paris
Em julho, o cantor foi condecorado com o grau de Comendador da Ordem do Infante pelo Presidente da República. “Nada como homenagear a comunidade como com uma homenagem a um grande dessa mesma comunidade”, disse Marcelo Rebelo de Sousa na cerimónia de condecoração. “Mas Tony Carreira é mais do que isso. Está presente nas comunidades portuguesas em todo o mundo. Desperta, naturalmente, afeto, proximidade e empatia onde há portugueses”, disse o Presidente da República, sublinhando depois as ações de solidariedade promovidas pelo músico.
“Mesmo que não tivesse tido o percurso que teve, do ponto de vista da afirmação em vários domínios da sua projeção nacional e internacional, bastava a sua presença, solidariedade e comunhão com as famílias de portugueses e portuguesas para merecer esta distinção”. Marcelo Rebelo de Sousa disse ainda que o músico é “um símbolo da projeção universal de Portugal”.
Universidade de Aveiro atribuiu o doutoramento ‘Honoris Causa’ a Sérgio Godinho
Em junho, a Universidade de Aveiro atribuiu o doutoramento ‘Honoris Causa’ ao músico Sérgio Godinho. “O músico português que mais influenciou diferentes gerações de outros criadores de canções nos últimos 50 anos da vida musical em Portugal”, lia-se no comunicado de imprensa que anunciava a distinção.
“A sua versatilidade fica demonstrada nas múltiplas parcerias que estabelece com cantores nacionais e estrangeiros, colaborando e coautorando trabalhos com músicos maiores do Brasil e dos países africanos de língua oficial portuguesa, com os quais partilhou tantos palcos e tantas coincidências, devolvendo à História modos diferentes de cantar a língua, numa convivência consentida”, dizia o despacho assinado pelo reitor da universidade, Paulo Jorge Ferreira.
Maria João Pires distinguida com o Praemium Imperiale no Japão
A pianista portuguesa foi distinguida com o Praemium Imperiale, um prémio internacional atribuído pela Associação de Arte do Japão. O Praemium Imperiale reconhece anualmente o contributo internacional de cinco personalidades nas Artes e na Cultura. A pianista foi reconhecida na área da música.
Sara Correia homenageada com um mural em Chelas
A fadista foi homenageada em junho com um mural da autoria de LS Artist, artista urbano que, tal como Sara Correia, também cresceu naquele bairro lisboeta. O mural foi oferecido pela Junta de Freguesia de Marvila e pelo empreendimento VIC/Prata.
“Há muito que a fadista perdeu o medo de assumir as suas raízes. Como canta na música ‘Eu Venho do Bairro (…) Eu sou de Chelas’. Foi ali que cresceu e encontrou as ferramentas para se tornar a mulher e a artista que é hoje”, contava o comunicado de imprensa sobre a iniciativa.
“Chelas foi berço, mas também foi escola. Hoje quer eliminar o estigma e mostrar a quem lá mora que há sonhos por perseguir. Foi no bairro que apresentou ao vivo pela primeira vez o seu novo álbum, ‘Liberdade’. Fê-lo para homenagear as suas pessoas. Fê-lo porque ali continua a ser a sua casa. Agora, o bairro retribui com um mural pintado muito perto da escola de fado onde tudo começou. Pintado por LS Artist, um artista urbano também ele de Chelas, este é o sinal de um amor mútuo que está entranhado e ficará para sempre”, lia-se ainda na nota.
Travis Scott teve direito a um mural de Vhils na MEO Arena
A inauguração do mural foi a 4 de agosto, dia do último dos três concertos que o rapper deu na ampla sala lisboeta. A assinatura artística da obra é de Alexandre Farto aka Vhils. “Fazendo a diferença onde quer que vá, Travis Scott será o primeiro artista homenageado com um mural de Alexandre Farto, também conhecido como Vhils, na MEO Arena, lia-se nas contas oficiais da promotora do espetáculo, a Ritmos e Blues, quando a obra foi anunciada.
‘Grito’, de iolanda, venceu o Festival da Canção
Em março, foi escolhida a canção para representar Portugal na 68ª edição da Eurovisão, que decorreu em maio, na Suécia. No ano em que o Festival da Canção assinalou o 60º aniversário, iolanda levou o troféu para casa, com o tema ‘Grito’.
iolanda somou 22 pontos, conquistando o primeiro lugar com os votos do júri e o segundo com os votos do público. João Borsch, com o tema ‘Pelas Costuras’, ficou em primeiro no televoto e em quinto lugar na votação do júri, somando 18 pontos.
Suíça venceu a Eurovisão
A Suíça foi a vencedora da final da 68ª edição do Festival Eurovisão da Canção que decorreu na Malmö Arena, em Malmö, na Suécia. O cantor Nemo ganhou a competição eurovisiva com o tema ‘The Code’, somando um total de 591 pontos. Foi a terceira vitória da Suíça no concurso.
‘Grito’, a canção portuguesa, ficou em sétimo lugar na votação do júri (com 139 pontos) e recebeu 13 pontos do público, ficando em 10º lugar na contagem final. Portugal recebeu 12 pontos do Reino Unido, Croácia e França.
Mais uma “turma” no Rock & Roll Hall of Fame
A 39ª cerimónia de indigitação no Rock & Roll Hall of Fame aconteceu em outubro no Rocket Mortgage FieldHouse, em Cleveland, nos Estados Unidos.
Cher, Mary J. Blige, Dave Matthews Band, Foreigner, Peter Frampton, Kool & The Gang, Ozzy Osbourne e A Tribe Called Quest foram os escolhidos para fazer parte da turma deste ano na categoria de “performer”.
Jimmy Buffett, MC5, Dionne Warwick e Norman Whitfield foram reconhecidos com o Prémio Excelência Musical e Alexis Korner, John Mayall e Big Mama Thornton receberam o Prémio de Influência Musical. Nomes como os dos Oasis, Mariah Carey, Sinead O’Connor, Sade, Jane’s Addiction, Eric B. & Rakim e Lenny Kravitz figuravam na lista final de candidatos mas ficaram de fora.
R.E.M. entre os indigitados no Songwriters Hall of Fame
Bill Berry, Peter Buck, Mike Mills e Michael Stipe – membros dos R.E.M. – fazem parte do elenco que em junho foi indigitado no Songwriters Hall of Fame 2024. O grupo reuniu-se no Marriot Marquis Hotel, em Nova Iorque, nos Estados Unidos, para receber a distinção e para atuar pela primeira vez em 15 anos. O quarteto tocou uma versão acústica de ‘Losing My Religion’, single de 1991.
Hillary Lindsey, Timothy Mosley (mais conhecido por Timbaland), Dean Pitchford e dois membros dos Steely Dan, Donald Fagen e Walter Becker foram os restantes indigitados. A distinção reconhece e presta tributo ao talento dos compositores e à contribuição que fizeram para a música.
Os ABBA reuniram-se para receber uma honra da realeza sueca
No final de maio, o quarteto sueco foi distinguido com a Ordem Real de Vasa pela contribuição que deu à música não só na Suécia como no resto do mundo. Agnetha Faltskog, Bjorn Ulvaeus, Benny Andersson e Anni-Frid Lyngstad foram recebidos no palácio real, em Estocolmo, e receberam a honra pelas mãos dos reis da Suécia, Sílvia e Carlos XVI Gustavo.
Avril Lavigne distinguida com uma das grandes honras do Canadá
A artista canadiana, atualmente com 40 anos, foi distinguida em junho com a Ordem do Canadá – um reconhecimento que é feito a personalidades, de diferentes áreas da sociedade, pelo contributo que deram ao país. A voz de ‘Complicated’ está numa lista de nomes que incluem cientistas, economistas, poetas ou ativistas.
“A Avril Lavigne é uma das artistas femininas que mais vendeu álbuns no mundo inteiro”, lia-se na descrição do reconhecimento que foi assinada por Mary Simon, a governadora geral do Canadá. “Com mais de 50 milhões de discos vendidos, a cantora abriu o caminho para as mulheres poderem abraçar o punk rock. E continua a fazer o mesmo ainda hoje”, continuava a nota. “Generosa com o seu tempo, apoia pessoas com doenças graves, deficiências ou pessoas que sofrem com a doença de Lyme através da fundação Avril Lavigne”.
Damon Albarn distinguido com título honorário pela Universidade de Exter
Damon Albarn – o homem de projetos como os Blur ou Gorillaz – foi distinguido em julho com um título honorário pela Universidade de Exter. O estabelecimento universitário inglês atribuiu a distinção ao músico pelo impacto dos seus diversos talentos, pelo seu espírito inovador e pela forma como alargou as fronteiras da música contemporânea, ópera, composição e colaboração.
“Não acreditem em nada até saberem. Até reconhecerem com o coração que vale a pena acreditar”, disse o músico no discurso da entrega da distinção.
“Nos dias de hoje, um simples facto pode ficar bastante fragmentado e distorcido. É uma loucura. Por isso, acho que é isto que vos quero dizer. Confiem nos vossos instintos, não aceitem a resposta não. Abram as mentes e façam coisas incríveis”, acrescentou o artista inglês que falava aos alunos da universidade britânica.
Johnny Cash com uma estátua no Capitólio
É o primeiro músico a ter este tipo de homenagem na instituição de Washington, nos Estados Unidos. A estátua de bronze de Johnny Cash no Capitólio foi inaugurada em setembro.
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