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Há um mundo da música antes e depois de Post Malone

Written by on June 27, 2022

Post Malone Rock In Rio - Camões Rádio - Portugal

 

No último dia de Rock in Rio as atenções dividiram-se por Malone, Anitta e Jason Derulo, todos com verdadeiras multidões.

Aos 26 anos, Austin Richard Post criou o seu próprio estilo: a ausência de estilo, pelo menos definido. Tão misturado entre géneros e subgéneros de música que as definições são impossíveis e na verdade desnecessárias, ficando um modo de cantar, compor e atuar sem fronteiras ou amarras de classificações. Em Post Malone, há hip hop, Rap, R&B, rock, grunge, country, trap e o resultado tem sido vitorioso; sucesso atrás de sucesso, colaborações de luxo, nomeações nos Grammy. Com um novo álbum lançado este mês, “Twelve Carat Toothache”, o regresso do norte-americano a Portugal tinha tudo para correr bem – e correu.

De copo na mão, pronto para a festa como não se cansou de dizer – foi aliás constante a sua interação com o público – e aparentemente sozinho em palco, com a atenção de uma verdadeira massa humana de perder de vista toda sobre si, Malone nunca se atrapalhou. Atacou a setlist com “Wow”, e seguiu logo com um dos seus maiores sucessos: “Better Now”, do segundo álbum “Beerbongs & Bentleys” lançado em 2018, e talvez um dos temas que mais o levou pelo mundo. Logo de início, foi agradecendo constantemente o público, a atenção, a oportunidade de festejar.

Bem a propósito, disse, sobre a canção que se seguia, que esta tinha sido escrita como uma celebração da vida, para viver cada momento como se fosse o último: era “Saint-Tropez”, vindo depois um tema do novo disco, “Cooped Up”, editado originalmente com Roddy Ricch. Ainda do novo “Twelve Carat Toothache”, seguiu-se a já popular e rodada, “I Like You”.

Durante pouco mais uma hora de concerto, houve ainda tempo – entre agradecimentos constantes perante um público que também o ovacionava e chamava por Malone a cada intervalo – para tocar guitarra, partir a guitarra, dançar, e para temas como o hit “Circles” do disco sucesso “Hollywood´s Bleeding”. Ou “Take What You Want”, feita com o mítico Ozzy Osbourne que apareceu nos ecrãs; “I Fall Apart”; Sunflower”, de “Homem Aranha”; e ainda “Rockstar”. “Amo-vos mais do que a própria vida”, dizia Malone a dado ponto, garantindo constantemente estar radiante, no “melhor sítio do mundo” e lembrando como era bom regressar depois da pandemia. Tudo perante a grande maioria da multidão de 80 mil pessoas, que esgotou totalmente a Cidade do Rock no último dia, a manter-se resistente ao vento e ao cansaço, sem arrecadar pé.

Furacão Anitta

Algumas pessoas iam, no entanto, saindo, exaustas pela passagem do “Furacão Anitta”. Há, aliás, uma biografia, não autorizada, sobre a vida da mulher que levou o funk brasileiro ao mundo. Editado em 2019, o livro “Furacão Anitta”, de Leo Dias, conta a história de Larissa, ou Anitta, desde a sua infância no Rio de Janeiro, lembrando o início do seu percurso, as dificuldades e o seu jeito também para o marketing que a transformou, agora com 29 anos, numa cantora, dançarina, atriz e empresária à escala mundial. Foi este Furacão Anitta que passou pelo Rock in Rio no último dia do festival que trouxe as multidões de massa de volta, dois anos depois.

Ainda com luz do dia, a brasileira entrou em palco sem perdoar: “Onda Diferente” abriu as hostes, seguido de “Me Gusta”, “Contatinho” e “Some que ele vem atrás”. Anitta apresentava-se primeiro com um corpete colorido, e depois do susto com a perda de figurinos foi-se percebendo que aqui também eles são parte do espetáculo – tal como a dança, a cenografia, os bailarinos: tudo mais do que ensaiado, ao ponto de por vezes não parecer sobrar muito de espontâneo. O público não se parecia porém importar: por todo o recinto, gente de todas as idades cantava e dançava os próximos “Papapa”, “Gata” e “Sua Cara”, a música com Major Lazer e Pablo Vittar. Só este tema tem mais de 550 milhões de visualizações no YouTube, para se ter uma ideia. “Portugal, que delícia”, repetia a carioca.

Depois da canção feita com Dadju, “Mon Soleil”, chegava um dos seus maiores temas. “Envolver” fez tremer a Cidade do Rock, mas havia ainda muito mais, como “Rave da Favela”, “Vai Malandra”, “Movimento da Sanfoninha” ou “Show das Poderosas”. De tarde, o JN falara com um grande grupo de ingleses, que tinha ido aos dois dias do último fim de semana do Rock in Rio 2022. Os motivos? Duran Duran no primeiro dia, Anitta no segundo – o furacão já corre mundo.

Ainda antes, foi Jason Derulo quem esteve no palco principal. O também dançarino entrou com “Watcha Say”, agarrando um já incrivelmente compacto mar de gente, apesar da hora. Rodeado de bailarinos, passou por músicas como “Wiggle”, “Take You Dancing” e claro, “Savage Love”, tema que colocou em 2020 todo um mundo confinado em casa, de estrelas de cinema a idosos e crianças, juntos a dançar no TikTok. No Rock in Rio, que Derulo disse ser “a maior festa do mundo”, o cantor falou desse poder de uma música e uma rede, em unir pessoas. Aqui, uniu esta parte do mundo, já desconfinado, em algo provavelmente inédito até no RiR: milhares nesta coreografia em conjunto, como se de um gigante flash mob se tratasse. Entre outros hits da carreira e a apresentação “viral” de uma música nova, “Slidin”, Derulo ainda mostrou o seu poder vocal com “Time to Say Goodbye” de Andrea Bocelli e uma mostra instrumental de “Seven Nation Army”, levando ao rubro a multidão.

A abrir o Palco Mundo, os HMB, reis do groove e da boa onda, entraram com “Não me Leves a Mal” e ninguém levou: o grupo português foi atuando para um grupo bem composto e crescente. O público aderiu e os HMB deram tudo e puxaram de todos os truques para manter a multidão ativa: o sentar no chão, a competição de lados, as palmas coreografadas e, claro, os hits, de “Paixão” a “Peito”. “Festa só é festa se toda a gente vier junta”, diziam a dado ponto, resumindo um pouco o espírito deste ano. Pelos quatro dias do Rock in Rio 2022 passaram diversos estilos e concertos inesquecíveis: só no palco principal houve nomes como Muse, The National, Ivete Sangalo, A-ha, Duran Duran. Quase 300 mil pessoas terão estado nos quatro dias, num regresso dos grandes eventos que, apesar do início de verão tímido e das enchentes de gente, não sofreu grandes problemas. Este ano o evento pretendeu, e sempre se sentiu no recinto, das bandas ao público, não só celebrar a música como a possibilidade de estarmos juntos para a podermos viver. A próxima edição de Lisboa já está marcada, para 2024.

“Um minuto de atenção por favor”

Porque a edição 2022 do Rock in Rio era especial, ao representar um regresso que não sabíamos se e quando ia chegar, um novo momento foi criado, todos os dias. No Palco Mundo, antes da última banda, breves palavras tornaram-se marcantes a chamar o público: “Um minuto de atenção por favor”, ouvia-se na voz única de Simone de Oliveira. Era depois passada uma mensagem, por ela gravada, que assinalava a celebração de voltarmos a estar juntos, celebrar e viver a música, no Parque da Bela Vista. Seguia-se o fogo de artifício e o hino do RiR: “se a vida começasse agora; e o mundo fosse nosso outra vez”.

 

Fonte: JN


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