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“Playback” leva Carlos Paião de volta aos cinemas e já é o filme português mais visto do ano

Written by on August 10, 2026

Reprodução Facebook Carlos Paião 1957 – 1988

O filme de Sérgio Graciano sobre a vida e a carreira de Carlos Paião conquistou 11.190 espectadores nos primeiros quatro dias em sala e alcançou cerca de 77.797 euros de receita de bilheteira.

Carlos Paião está novamente no centro das atenções. O filme “Playback”, realizado por Sérgio Graciano, tornou-se o filme português mais visto nos cinemas em 2026 durante o seu fim de semana de estreia, com 11.190 espectadores entre quinta-feira, dia da estreia, e domingo. Os dados, divulgados pelo Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA), revelam ainda que a longa-metragem registou aproximadamente 77.797 euros de receita de bilheteira. O resultado coloca “Playback” à frente de “Projecto Global”, de Ivo M. Ferreira, que chegou aos cinemas em abril e contabilizou 9.208 espectadores.

Um regresso ao homem por detrás das canções

Mais do que contar a história do músico que marcou a música popular portuguesa, “Playback” procura mostrar o homem por detrás do mito. O filme recorda e reinterpreta diferentes momentos da vida e da carreira de Carlos Paião, incluindo a sua passagem pelo Festival da Canção, a formação em Medicina e o casamento com Zaida Cardoso, sua mulher.

“Quis fazer a história do homem e não a história do mito. Foi um homem brilhante, um letrista incrível”, explicou o realizador Sérgio Graciano no final de julho, durante a antestreia do filme em Lisboa. A personagem de Carlos Paião é interpretada pelo ator Rafael Ferreira, escolhido através de um casting que contou com mais de duas centenas de candidatos. Com experiência em teatro, cinema e televisão desde 2017, o ator considera “Playback” o seu primeiro trabalho de maior destaque e também uma grande responsabilidade, precisamente pela homenagem que representa ao músico. Rafael Ferreira falou sobre esse desafio à Lusa em dezembro passado, durante as filmagens.

Uma banda sonora reinventada

A música continua naturalmente a ser uma das protagonistas da história. A banda sonora de “Playback” é assinada por Paulo Furtado, The Legendary Tigerman, que reinventou algumas das canções de Carlos Paião com os músicos que habitualmente o acompanham e também com Rafael Ferreira. Entre os temas escolhidos encontra-se uma verdadeira surpresa: “Lisboa Lisboa”, uma canção inédita que Carlos Paião nunca chegou a editar. Segundo Paulo Furtado, trata-se de “uma canção de amor dedicada a Lisboa”. O músico falou sobre o tema em julho, quando atuou com Rafael Ferreira no festival Alive, em Oeiras.

Um elenco que dá vida à história

Além de Rafael Ferreira, “Playback” conta com interpretações de Laura Dutra, Beatriz Brás, Mariana do Ó, Rita Durão, António Mortágua, Anabela Moreira e Albano Jerónimo, entre outros. A longa-metragem é uma produção da Caos Calmo, tem argumento de Mário Cenicante e contou com a colaboração de Zaida Cardoso, que acompanhou de perto a vida de Carlos Paião.

O legado de Carlos Paião

Carlos Paião nasceu a 1 de novembro de 1957, em Coimbra, e morreu prematuramente a 26 de agosto de 1988, na sequência de um acidente de automóvel. Entre essas duas datas ficou uma carreira curta, mas extraordinariamente marcante. Formado em Medicina, Carlos Paião acabou por escolher a música e tornou-se um dos mais reconhecidos compositores da música popular portuguesa. Ao longo da sua carreira, escreveu mais de duas centenas de canções, muitas das quais continuam presentes no imaginário musical português.

Entre os temas que compôs estão clássicos como “Cinderela”, “Pó de Arroz”, “Vinho do Porto”, “Souvenir de Portugal” e “Playback”. Deixou ainda os álbuns “Algarismos” (1982) e “Intervalo” (1988). A sua criatividade levou-o também a colaborar com nomes importantes da cultura portuguesa. Trabalhou com o humorista Herman José, para quem escreveu as canções da personagem Serafim Saudade, e colaborou igualmente com artistas como Amália Rodrigues, Lenita Gentil e Mísia, entre outros.

“Playback” conquista o público

No panorama geral dos filmes exibidos nos cinemas portugueses entre quinta-feira e domingo, “Playback” ficou naturalmente atrás das grandes produções internacionais. O filme mais visto nesse período voltou a ser “Homem-Aranha: Um novo Dia”, com 124.666 espectadores. Desde a estreia, a 30 de julho, o filme já contabiliza 485.803 espectadores. Ainda assim, o desempenho de “Playback” representa um resultado expressivo para uma produção portuguesa e confirma o interesse do público por histórias de figuras que fazem parte da memória cultural do país.

Mais de três décadas depois da sua morte,

 continua a ser ouvido, recordado e, agora, levado novamente ao grande ecrã. E talvez seja esse o maior legado de um artista: continuar a fazer parte da vida das pessoas, mesmo depois de partir.

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