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São irmãs, têm 19 e 22 anos, e andam por Marrocos num carro mais velho que elas

Written by on February 14, 2023

irmãs em Marrocos - Camões Rádio - Portugal

São irmãs, têm 19 e 22 anos, e andam por Marrocos num carro mais velho que elas

 

Duas irmãs, um Peugeot 205 com 30 anos, 40 quilos de material solidário e uma aventura por Marrocos. É assim que as Desert Racing Sisters se apresentam na página do Instagram, onde têm partilhado tudo sobre esta viagem de uma vida. As irmãs Rita e Sofia Martins de Sousa, de 22 e 19 anos, respetivamente, são da Charneca da Caparica, Almada, e decidiram aceitar o desafio do UniRaid para estudantes universitários: um rally de 11 dias pelo deserto de Marrocos com o objetivo de distribuir bens a locais desfavorecidos. Tudo isto num carro com mais de 20 anos.

Rita é estudante de Direito na Universidade Nova de Lisboa e foi ela quem teve a “ideia maluca de embarcar nesta aventura”. Sofia, a irmã mais nova, está a estudar Ortóptica “para aprender a pôr os olhos na estrada” e garantir que não se perdem no deserto. Apesar das inúmeras viagens que já fizeram em família, sozinhas ou com amigos, e de se descreverem como “muito independentes e autónomas”, nunca fizeram nada deste género.

“Conheci o UniRaid há uns anos e sempre quis participar, mas depois apareceu a Covid-19. Este ano decidimos tentar. Fazermos parte do percurso do Dakar num carro com mais de 20 anos e sem GPS vai ser uma grande aventura — estamos muito motivadas”, contam as irmãs à NiT,  no Peugeot 205 vermelho com 33 anos.

Por outro lado, também ficaram fascinadas com a vertente solidária desta aventura pelo deserto. Desde miúdas que doam a roupa que já não precisam a instituições e fazem voluntariado no Banco Alimentar, na faculdade onde dão explicações, e até mesmo num canil. “Este projeto foi um três em um: a parte da aventura e do rally, a viagem em si e a componente solidária”, sublinham. Isto porque o objetivo principal deste desafio do UniRaid é “entregar mais de 40 quilos de material” à medida que ultrapassaram as várias etapas.

Começaram a preparar a missão solidária no verão: escolheram o nome, os logótipos, os patrocinadores — um deles é o piloto português Miguel Oliveira — e o carro. O desafio “obriga” a que conduzam um veículo com mais de 20 anos, mas as duas irmãs decidiram ir mais longe e compraram um ainda mais velho. “O nosso tem 33 anos e tivemos de fazer a preparação toda, as revisões mecânicas, colocar os extras necessários e uma data de requisitos obrigatórios”, explicam.

Depois da parte mecânica estar toda pronta, encheram-no, literalmente, com “muito mais do que 40 quilos de material solidário”. Levam material escolar e de higiene, fraldas, roupa, bolas de futebol e ténis e até peluches. Tudo isto será entregue a instituições e a aldeias mais inacessíveis.

As Desert Racing Sisters partiram para a missão solidária, assim como as outras 120 equipas portuguesas e espanholas, na manhã de sexta-feira, 10 de fevereiro. No total, esta espécie de rally Dakar passa por seis etapas, que combinam condução por estradas de montanha, trilhos, areia e dunas.

Neste desafio, os estudantes têm de superar as várias etapas com apenas um road book, um mapa e uma bússola. Não têm acesso a GPS ou dispositivos eletrónicos a bordo de um carro com mais de 20 anos e vão superar obstáculos naturais, vários testes de estratégia e habilidade.

“O maior desafio vai ser mesmo não usar GPS e aprender a navegar através de um road book. A organização deu-nos um briefing para nos ajudar e temos um telemóvel específico para contar os quilómetros”, contam. Ainda assim, a falta de dispositivos eletrónicos não vai ser o único desafio das duas irmãs: “vamos estar imenso tempo juntas, temos de trabalhar e superar o desafio em equipa, temos de tratar bem do carro, não andar muito rápido para conseguir chegar ao fim”, explicam.

Quanto às etapas, acreditam que a mais desafiante será a etapa maratona, um rally que vai durar 48 horas. “Numa etapa normal saímos de manhã e à tarde chegamos ao acampamento. Na etapa maratona vão ser dois dias seguidos no meio do deserto em que estamos por nossa conta”.

“Toda a gente acha isto um bocado impossível, levar um carro com mais de 20 anos para o deserto.Queremos tornar esse impossível em algo que é possível e mostrar que, enquanto estudantes universitárias, também nos podemos envolver em projetos de solidariedade, conhecer o mundo e novas culturas”, confessam as irmãs. Apesar da dificuldade do desafio — e de serem duas jovens mulheres —, foram os próprios pais que as incentivaram a ir: “foram os primeiros a dizerem para irmos e até perguntaram se não havia uma aventura destas para a idade deles”.

Partiram de Lisboa na sexta-feira, chegaram a Tânger no dia seguinte e, agora, esperam-lhes vários desafios nos próximos dias. Se tudo correr bem, regressam a Portugal dia 20 de fevereiro. “Acredito que este desafio nos vai tornar pessoas melhores e mais sensíveis a outras realidades. Vai ser muito positivo”, preveem.

 

Fonte: NiT/ Sara Lopes