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Café com…Margarida Costa

Written by on February 13, 2026

Margarida Costa: A Mestria do Realismo e a Narrativa do Olhar no Café Com…

No panorama artístico contemporâneo, poucos nomes conseguem captar a essência da alma humana com tanta precisão como Margarida Costa. Nesta edição especial do programa Café Com…, transmitido pela Multicultural TV in Canada e pela Camões TV, exploramos a jornada de uma artista que transformou o lápis e o carvão em extensões da sua própria sensibilidade. Margarida Costa não desenha apenas rostos; ela mapeia histórias, rugas de sabedoria e o brilho da vida que muitas vezes escapa ao olhar comum.

A conversa com Margarida Costa começa com um aviso técnico que é, simultaneamente, um segredo de mestre: a importância da preservação do suporte. Para Margarida Costa, o desenho começa muito antes do primeiro traço. A artista explica que a gordura natural das pontas dos dedos é o maior inimigo da folha branca. Ao apoiar a mão diretamente no papel, as manchas tornam-se inevitáveis, especialmente quando se trabalha com materiais tão voláteis como o carvão ou o grafite. Por isso, o uso de uma folha de apoio é fundamental para que a obra final mantenha a pureza e o contraste que definem o estilo de Margarida Costa.

A Origem de um Dom: De Isaura para o Mundo

Como nasce uma artista do calibre de Margarida Costa? A resposta reside numa memória guardada num álbum de fotografias e no coração da artista. Aos quatro anos de idade, Margarida Costa já demonstrava uma aptidão fora do comum. Enquanto outras crianças desenhavam formas abstratas, ela sentava-se no chão da sala a observar a sua avó Isaura. O resultado foi um desenho que captava não apenas a figura, mas os pormenores: a bengala, os sinais na pele, a postura cansada mas digna.

A avó Isaura, descrita por Margarida Costa como uma mulher à frente do seu tempo e uma autêntica visionária, foi o primeiro “chão” para este talento. O impacto desta figura materna e mentora é tão profundo que, décadas depois, Margarida Costa sentiu a necessidade imperativa de a desenhar novamente. Este processo de reencontro através do grafite foi emocionalmente avassalador, levando a artista a recomeçar a obra várias vezes devido às lágrimas que teimavam em manchar o papel. É esta humanidade que torna o trabalho de Margarida Costa algo que transcende a técnica pura.

A Técnica de Margarida Costa: Entre a Paciência e a Perfeição

O realismo praticado por Margarida Costa exige uma disciplina quase monástica. Um retrato pode exigir mais de 72 horas de trabalho contínuo, distribuídas por vários dias de inspiração e foco. Para Margarida Costa, o desafio reside na interpretação da luz e da sombra. Ela não procura a perfeição estética no sentido tradicional, mas sim a verdade da fisionomia humana. “Quanto mais envelhecida a pele, melhor”, confessa a artista, demonstrando o seu fascínio pelas texturas complexas das peles maduras.

A formação em Design Gráfico trouxe a Margarida Costa uma base sólida em proporção, anatomia e perspetiva, embora ela admita que o seu coração pertence inteiramente ao carvão. A utilização de ferramentas como a “borracha miolo de pão” e vernizes mate para fixar o pigmento são parte do ritual que transforma uma folha A3 ou A2 numa janela para a realidade. Margarida Costa enfatiza que, embora muitos considerem os seus desenhos terminados, para ela, uma obra nunca chega a um fim absoluto. Há sempre um pormenor, um contraste ou uma sombra que poderia ser refinada no dia seguinte.

A Exposição no Átrio: Salvador Dalí e a Génese do Génio

Atualmente, o trabalho de Margarida Costa pode ser apreciado na exposição “O Rosto da Arte”, patente no Átrio, em Mira. Um dos destaques desta mostra é a narrativa visual em torno de Salvador Dalí. Através deste projeto, Margarida Costa permite ao observador contemplar o processo criativo em etapas, mostrando que a arte é uma metamorfose constante. Desde o esboço inicial até à aplicação intensiva de sombras, cada fase revela a complexidade do método de Margarida Costa.

Além de Dalí, a exposição é um tributo à capacidade de superação da artista. Mesmo com uma agenda preenchida de exposições mensais, Margarida Costa continua a aceitar desafios que a retiram da sua zona de conforto, como o desenho de escalas maiores em formato A1 ou a experimentação com canetas brancas para intensificar o brilho do olhar. O objetivo final de Margarida Costa é sempre o mesmo: emocionar quem vê.

Margarida Costa e o Projeto dos “Invisíveis”

Um dos pontos mais tocantes da entrevista é a revelação de um projeto que Margarida Costa guarda com carinho: o desenho de sem-abrigo. Para a artista, estas pessoas são os “invisíveis” da sociedade, cujos rostos carregam uma carga dramática e uma história de vida que merece ser documentada com a dignidade que só o realismo permite. Margarida Costa utiliza a sua arte como uma ferramenta de visibilidade social, transformando o sofrimento e a resiliência em beleza estética e reflexão moral.

Este compromisso com a verdade humana é o que distingue Margarida Costa. Ela não evita as rugas, os sinais ou as imperfeições; pelo contrário, ela celebra-os. Para a artista, a beleza reside na autenticidade da experiência vivida, e o seu papel é ser a tradutora dessa experiência para o papel.

A Arte como Terapia e Missão de Vida

Ao longo da conversa na Camões TV, fica claro que para Margarida Costa, desenhar é uma forma de terapia. É um refúgio contra a ansiedade e um espaço de reeducação diária. A sua frase de eleição — “Na ponta dos dedos, no bolso de trás ou no olhar, a arte está sempre contigo” — reflete esta simbiose total. Margarida Costa encoraja todos a experimentarem o desenho, não como uma busca por um resultado profissional, mas como um exercício de paciência e tranquilidade.

O impacto de Margarida Costa estende-se também às encomendas que recebe. Ao desenhar pessoas que já partiram, a artista proporciona um conforto inigualável às famílias. Ela consegue, através do estudo fisionómico e de referências fotográficas, devolver uma presença que a morte tentou apagar. É nesta interseção entre a técnica e a cura emocional que Margarida Costa encontra a sua maior recompensa.

Conclusão: O Legado em Construção de Margarida Costa

A entrevista com Margarida Costa termina com uma nota de esperança e continuidade. Com novos projetos no horizonte e uma vontade constante de se superar, Margarida Costa afirma-se como uma voz essencial na arte contemporânea portuguesa. O seu trabalho no Café Com… serve de inspiração para artistas emergentes e para todos aqueles que acreditam no poder transformador da dedicação.

Convidamos todos os ouvintes e leitores a visitarem a exposição de Margarida Costa e a seguirem o seu percurso nas redes sociais. A arte de Margarida Costa não é apenas para ser vista; é para ser sentida, respirada e preservada como um testemunho da nossa própria humanidade.

LISTEN ON SPOTIFY

Este conteúdo é parte integrante do programa Café Com…. Para mais informações sobre Margarida Costa e outros artistas, visite a nossa homepage.

 

 


Margarida Costa: Mastering the Art of the Gaze and the Depth of Charcoal

In the contemporary art scene, few names resonate with the precision and emotional depth of Margarida Costa. In this special English-language feature of the Café Com… program, broadcasted by Multicultural TV in Canada and Camões TV, we explore the journey of an artist who has transformed pencils and charcoal into extensions of her own soul. Margarida Costa does not simply draw faces; she maps human history, wisdom, and the spark of life that often escapes the casual observer.

The conversation with Margarida Costa begins with a vital technical warning that doubles as a master’s secret: the preservation of the canvas. For Margarida Costa, the drawing starts long before the first stroke. The artist explains that the natural oils from fingertips are the greatest enemy of the white sheet. By resting one’s hand directly on the paper, smudges become inevitable, especially when working with volatile materials like charcoal or graphite. Therefore, using a support sheet is fundamental so that the final work of Margarida Costa maintains the purity and contrast that define her signature style.

The Roots of a Gift: From Grandma Isaura to the Gallery

How is an artist of Margarida Costa’s caliber born? The answer lies in a memory tucked away in a family album and the artist’s heart. At the age of four, Margarida Costa already demonstrated an extraordinary aptitude. While other children drew abstract shapes, she sat on the living room floor observing her grandmother, Isaura. The result was a drawing that captured not just a figure, but the intricate details: the cane, the marks on the skin, the tired but dignified posture.

Grandma Isaura, described by Margarida Costa as a woman ahead of her time and a true visionary, provided the first “foundation” for this talent. The impact of this maternal figure is so profound that, decades later, Margarida Costa felt an imperative need to draw her again. This process of reconnection through graphite was emotionally overwhelming, leading the artist to restart the work several times due to tears that stained the paper. It is this raw humanity that makes the work of Margarida Costa something that transcends pure technique.

The Margarida Costa Technique: Between Patience and Perfection

The realism practiced by Margarida Costa requires almost monastic discipline. A single portrait can demand over 72 hours of continuous work, spread across days of intense inspiration and focus. For Margarida Costa, the challenge lies in the interpretation of light and shadow. She does not seek aesthetic perfection in the traditional sense, but rather the truth of the human physiognomy. “The more aged the skin, the better,” the artist confesses, demonstrating her fascination with the complex textures of mature faces.

Her background in Graphic Design provided Margarida Costa with a solid foundation in proportion, anatomy, and perspective, though she admits her heart belongs entirely to charcoal. Using tools like “kneaded erasers” and matte varnishes to fix the pigment is part of the ritual that transforms an A3 or A2 sheet into a window into reality. Margarida Costa emphasizes that while many consider her drawings finished, for her, a work never reaches an absolute end. There is always a detail, a contrast, or a shadow that could be refined the next day.

The Exhibition at Átrio: Salvador Dalí and the Genesis of Genius

Currently, the work of Margarida Costa can be admired in the exhibition “The Face of Art,” held at Átrio, in Mira. One of the highlights of this show is the visual narrative surrounding Salvador Dalí. Through this project, Margarida Costa allows the observer to contemplate the creative process in stages, showing that art is a constant metamorphosis. From the initial sketch to the intensive application of shadows, each phase reveals the complexity of Margarida Costa’s method.

Beyond Dalí, the exhibition is a tribute to the artist’s capacity for growth. Even with a schedule packed with monthly exhibitions, Margarida Costa continues to embrace challenges that push her out of her comfort zone, such as drawing on larger A1 scales or experimenting with white pens to intensify the glint in an eye. The ultimate goal of Margarida Costa is always the same: to move the viewer.

Margarida Costa and the “Invisibles” Project

One of the most touching points of the interview is the revelation of a project that Margarida Costa holds close to her heart: drawing the homeless. For the artist, these are the “invisibles” of society, whose faces carry a dramatic weight and a life story that deserves to be documented with the dignity that only realism allows. Margarida Costa uses her art as a tool for social visibility, transforming suffering and resilience into aesthetic beauty and moral reflection.

This commitment to human truth is what distinguishes Margarida Costa. She does not avoid wrinkles, marks, or imperfections; on the contrary, she celebrates them. For the artist, beauty resides in the authenticity of lived experience, and her role is to be the translator of that experience onto paper.

Art as Therapy and Life Mission

Throughout the conversation on Camões TV, it becomes clear that for Margarida Costa, drawing is a form of therapy. It is a refuge from anxiety and a space for daily re-education. Her chosen phrase — “At your fingertips, in your back pocket, or in your gaze, art is always with you” — reflects this total symbiosis. Margarida Costa encourages everyone to experiment with drawing, not as a search for a professional result, but as an exercise in patience and tranquility.

The impact of Margarida Costa also extends to the commissions she receives. By drawing loved ones who have passed away, the artist provides unparalleled comfort to families. Through physiognomic study and photographic references, she manages to restore a presence that death tried to erase. It is in this intersection between technique and emotional healing that Margarida Costa finds her greatest reward.

Conclusion: The Building Legacy of Margarida Costa

The interview with Margarida Costa concludes on a note of hope and continuity. With new projects on the horizon and a constant drive to improve, Margarida Costa establishes herself as an essential voice in contemporary Portuguese art. Her work on Café Com… serves as an inspiration for emerging artists and for everyone who believes in the transforming power of dedication.

We invite all listeners and readers to visit Margarida Costa’s exhibition and follow her journey on social media. The art of Margarida Costa is not just to be seen; it is to be felt, breathed, and preserved as a testament to our own humanity. Whether you are a fan of hyper-realism or a casual art lover, the precision of Margarida Costa will undoubtedly leave a lasting impression on your perception of beauty.

 

LISTEN ON SPOTIFY

This content is an integral part of the Café Com… podcast series. For more information about Margarida Costa and other featured artists, visit our homepage.