Café com…Mário Laginha
Written by Camoes Radio on May 14, 2026
Mário Laginha: A Genialidade Transtemporal do Piano e a Anatomia Humana do Álbum “Retorno”
O panorama da música instrumental em Portugal confunde-se inevitavelmente com a pegada artística e estética deixada por Mário Laginha ao longo das últimas décadas. Quando nos sentamos para escutar uma obra deste vulto cultural, não estamos apenas a consumir frequências sonoras organizadas no tempo; estamos a testemunhar um diário aberto, uma súmula de vivências colonizadas pelo ritmo, pela erudição e pela audácia. No programa Café Com…, transmitido pela nossa plataforma na Multicultural TV in Canada, fomos honrados com a presença deste mestre para dissecar o seu mais recente projeto de estúdio, apropriadamente intitulado Retorno. Esta obra marca uma rutura controlada com o passado e um abraço definitivo à volatilidade da criação em tempo real.
A entrevista conduzida por Conceição Ruas revelou um Mário Laginha desarmado de pretensiosismos, consciente do peso do seu legado, mas visivelmente focado no que o futuro ainda lhe reserva nas teclas. Há uma mística muito particular quando um artista de topo decide abdicar das grandes orquestras, dos trios dinâmicos e das parcerias mediáticas para se fechar numa sala com um piano de cauda. O piano a solo é o derradeiro espelho do compositor, um território onde não existem artifícios onde nos possamos esconder, nem dinâmicas alheias para disfarçar uma hesitação harmónica. Para Mário Laginha, este regresso à solidão do palco e do estúdio foi simultaneamente um desafio autoimposto e uma cedência a uma necessidade biológica de expressão pura.
O hiato de dezanove anos entre o seu primeiro registo exclusivamente a solo, o aclamado Canções e Fugas, e este novo trabalho levantou muitas questões no seio da crítica especializada e dos melómanos. Como pode um criador tão prolífico resguardar-se tanto tempo de um formato que domina com tamanha maestria? A resposta reside na própria generosidade artística de Mário Laginha. Durante estas quase duas décadas, o pianista desmultiplicou-se em colaborações icónicas, bandas sonoras para cinema, composições teatrais e concertos transcontinentais que absorveram toda a sua energia vital. Cada uma destas parcerias atuou como uma esponja cultural, refinando o seu instinto e preparando o terreno para que o novo registo não fosse uma mera repetição de fórmulas gastas.
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A Evolução Estética de Mário Laginha desde “Canções e Fugas”
Para compreendermos a magnitude de Retorno, precisamos primeiro de viajar no tempo até ao lançamento de Canções e Fugas. Aquele primeiro álbum a solo de Mário Laginha foi uma declaração de amor à arquitetura musical clássica, influenciado de forma indelével pela obra monumental de Johann Sebastian Bach. Nele, o compositor desenhou estruturas matemáticas perfeitas, onde as fugas eram labirintos de contraponto meticulosamente escritos da primeira à última nota. Não havia margem para o acaso; cada dedo obedecia a uma coreografia rígida e premeditada. Era a celebração do controlo, do planeamento e da beleza que emana da ordem absoluta.
Volvidos dezanove anos, o paradigma mudou radicalmente. O tempo confere ao músico uma sensibilidade diferente em relação ao erro e à imperfeição. No novo trabalho, Mário Laginha liberta-se das amarras da partitura omnipresente e permite que o vazio seja um elemento ativo na música. Onde antes existia uma obsessão saudável pela precisão geométrica das notas, surge agora uma celebração do espaço, do silêncio e da imprevisibilidade. Esta transição de uma estética de controlo para uma filosofia de desapego é o verdadeiro cerne da evolução que o pianista apresenta neste momento da sua carreira.
Durante a nossa conversa no estúdio da Camões Radio, o criador confessou que esta mudança não foi calculada para chocar ou para seguir tendências de mercado. Foi, sim, o resultado natural de um processo de maturação interior. O virtuosismo técnico, que sempre foi uma marca registada de Mário Laginha, surge agora subordinado à narrativa emocional. Já não há a necessidade de provar a agilidade dos dedos ou a complexidade das modulações harmónicas; a técnica passa a ser apenas a ferramenta que serve a transmissão de uma verdade crua e instantânea.
O Confinamento como Catalisador Criativo e o Silêncio das Cidades
Como aconteceu com muitos criadores globais, a génese prática deste álbum encontra-se no período conturbado da pandemia mundial. Confrontado com o cancelamento abrupto de todas as datas de concertos e com o isolamento social forçado, Mário Laginha viu-se fechado em casa, privado do estímulo dos palcos e da interação com outros músicos. O que para muitos poderia ter sido um período de bloqueio e desespero, transformou-se, para o pianista, num espaço de recolhimento e introspeção altamente produtivo.
A ausência do ruído quotidiano das cidades e a suspensão do tempo acelerado em que vivíamos permitiram-lhe restabelecer um diálogo íntimo com o seu instrumento. Sentado ao piano dia após dia, sem pressões editoriais ou prazos de entrega, Mário Laginha começou a escrever pequenas vinhetas, fragmentos melódicos que capturavam a estranheza e a melancolia daqueles dias suspensos. Foi nesta atmosfera de isolamento produtivo que o esqueleto do novo repertório começou a ganhar uma forma nítida e coerente.
A insistência da sua esposa foi também um fator determinante para que estas composições caseiras não ficassem guardadas na gaveta das memórias esquecidas. Como revelou humoristicamente na entrevista, houve uma exigência afetuosa para que aquelas peças fossem registadas num estúdio profissional. O incentivo familiar funcionou como o clique final que faltava para que o compositor marcasse as datas de estúdio, ganhasse a coragem necessária e avançasse para o registo definitivo daquilo que viria a ser o álbum da sua emancipação a solo.
A Queda do Muro e a Infiltração Silenciosa do Fado
Um dos aspetos mais fascinantes e reveladores da atual linguagem musical de Mário Laginha é a sua relação madura e tardia com o Fado. O músico recorda abertamente que, na sua juventude e nos primeiros anos de afirmação profissional, existia dentro de si um muro estético relativamente à canção nacional. Focado na liberdade de improvisação do jazz e na erudição da música clássica ocidental, o fado parecia-lhe um território demasiado fechado, amarrado a convenções e progressões harmónicas previsíveis que não estimulavam a sua veia exploratória.
Contudo, a música tem formas misteriosas de derrubar preconceitos. O convite para colaborar de forma regular com o fadista Camané foi o cavalo de Tróia que permitiu a desconstrução desta barreira mental. Ao acompanhar uma das vozes mais viscerais e autênticas do fado contemporâneo, Mário Laginha foi forçado a escutar o género a partir de dentro, a compreender o peso de cada palavra cantada e a subtileza das dinâmicas que ocorrem entre a voz e as cordas da guitarra portuguesa.
Esta imersão prolongada acabou por contaminar, de forma inconsciente mas indelével, a mecânica da sua interpretação. Na entrevista ao Café Com…, o pianista exemplificou como os trilos, as pequenas ornamentações e as resoluções melódicas típicas da guitarra de fado começaram a manifestar-se na sua mão direita ao piano. Onde antes aplicava uma ornamentação tipicamente bebop ou modal, surge agora um fraseamento que evoca os bairros históricos de Lisboa, conferindo ao seu jazz uma portugalidade profunda e melancólica que enriquece cada compasso de Retorno.
O Conceito de Improviso Total: Criar Sem Rede em Estúdio
Para além da influência do fado, o grande elemento diferenciador deste novo trabalho de Mário Laginha é a inclusão de cinco faixas baseadas no conceito de improviso total. Para o ouvinte comum, o termo improvisação pode remeter para uma ideia de facilidade ou de falta de estrutura, mas a realidade técnica e psicológica por trás deste processo é infinitamente mais complexa. Improvisar sem qualquer tema pré-estabelecido exige um nível de mestria, concentração e honestidade intelectual que poucos músicos conseguem sustentar com qualidade.
O processo descrito por Mário Laginha é quase ritualístico: entrar no estúdio, respirar fundo, pedir ao engenheiro de som para carregar no botão de gravação e, a partir desse instante, deixar que o subconsciente comande as mãos. Não há uma tonalidade escolhida à partida, não há um ritmo definido, não há ideias guardadas na memória para serem recicladas. Cada nota que nasce é uma reação imediata à nota anterior, um diálogo em tempo real entre o corpo do músico, a acústica da sala e a mecânica das cordas do piano.
Estas cinco peças funcionam como fotografias instantâneas do estado emocional de Mário Laginha naquele preciso segundo. Nunca mais serão tocadas da mesma forma, porque o contexto, a temperatura da sala e a disposição mental do artista nunca mais se repetirão. É esta efemeridade que confere ao álbum um valor documental único, transformando o objeto físico do CD ou do ficheiro digital num testemunho vivo de um ato de criação pura e irrepetível.
A Psicologia do Palco: A Solidão Partilhada com a Plateia
Tocar piano a solo num palco de um grande auditório é uma das experiências mais solitárias que um músico pode enfrentar. Sem o suporte de uma secção rítmica para manter o andamento, ou de um solista para desviar as atenções do público, o pianista fica exposto na sua totalidade. Confrontado com esta realidade, Mário Laginha partilhou connosco uma mudança profunda na forma como lida com a pressão e a ansiedade que antecedem a entrada em palco.
Se há vinte anos o nervosismo miudinho se transformava por vezes numa tensão muscular e mental que condicionava a performance, hoje em dia o músico encara o palco como um espaço de libertação e de prazer absoluto. O amadurecimento trouxe-lhe a perceção de que o público não está na sala para julgar ou para analisar a precisão cirúrgica de cada nota, mas sim para ser transportado por uma narrativa emocional. Esta perda do medo do erro permitiu a Mário Laginha alcançar um estado de descontração que potencia a sua capacidade de comunicar e de se fundir com a plateia.
Esta transformação na psicologia da performance reflete-se diretamente na fluidez da música que escutamos em Retorno. Há uma leveza e uma bonomia na forma como os temas se desenvolvem, revelando um artista que está em perfeita paz com o seu instrumento e com o seu público. A solidão do palco deixa de ser um peso opressivo para passar a ser um espaço de partilha mútua, onde o silêncio da audiência é tão importante para o concerto como as notas debitadas pelo piano.
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A Agenda Global de Mário Laginha: Da Europa à América Latina
Apesar de o álbum ser um manifesto de introspeção, a receção do público e dos promotores internacionais obriga Mário Laginha a abraçar novamente o frenesim das viagens e das digressões. O músico revelou em primeira mão no nosso programa os seus planos detalhados para os próximos meses, demonstrando que a sua música continua a quebrar barreiras geográficas e linguísticas com enorme facilidade.
Entre os projetos mais ambiciosos destaca-se um concerto especial na Arménia, na cidade de Erevan, onde partilhará o palco com um pianista arménio e um pianista estónio. Este espetáculo, concebido para três pianos em simultâneo, assentará em composições originais dos três criadores, promovendo um diálogo intercultural inédito onde as tradições musicais da Europa de Leste, do Cáucaso e do Atlântico se cruzarão através das teclas. É um desafio que entusiasma particularmente o músico português, sempre ávido de novos estímulos intelectuais.
Para além desta incursão pelo leste europeu, o outono trará uma extensa e ambiciosa digressão pela América Latina. Países como o Brasil, a Argentina e o Equador estão na rota de Mário Laginha, que levará a sua visão do piano a solo a palcos historicamente exigentes e calorosos. O público latino-americano, conhecido pela sua entrega emocional e pela sua forte tradição musical, receberá decerto com entusiasmo a melancolia luminosa e o virtuosismo descontraído que caracterizam esta nova fase da carreira do pianista.
O Cinema Mental do Ouvinte: A Música como Geradora de Imagens
Um dos temas mais debatidos quando se fala de música estritamente instrumental é a capacidade que esta tem de evocar imagens na mente de quem a escuta. Sendo uma arte abstrata por excelência, desprovida de palavras que guiem a interpretação do ouvinte, o piano de Mário Laginha atua como um projetor de um cinema mental privado para cada indivíduo que se preste a ouvi-lo com atenção.
Questionado sobre as histórias ou os filmes que gostaria que as pessoas criassem ao ouvir as faixas de Retorno, o compositor foi categórico ao afirmar que não deseja impor qualquer tipo de guião ou narrativa prévia. Para ele, a beleza da música reside precisamente na sua polissemia, na capacidade que tem de se adaptar às memórias, aos traumas, às alegrias e ao historial emocional de cada ouvinte. Um mesmo tema pode sugerir uma paisagem outonal nostálgica a uma pessoa e uma sensação de esperança renovada a outra, sendo que ambas as interpretações são igualmente legítimas e corretas.
Esta abertura democrática à interpretação do público demonstra a generosidade da arte de Mário Laginha. O músico não se assume como um ditador de sentidos, mas sim como um facilitador de experiências emocionais. Ao disponibilizar as suas notas ao mundo, abdica do controlo sobre as mesmas e permite que elas ganhem vidas independentes nos corações e nas mentes de quem sintoniza a Camões Radio ou acompanha os concertos pelas salas de todo o mundo.
Conclusão: O Legado Vivo de um Ícone da Cultura Portuguesa
No final desta longa e enriquecedora conversa no programa Café Com…, fica clara a certeza de que estamos perante um artista no pico das suas faculdades criativas. Mário Laginha não se senta à sombra dos louros conquistados no passado, nem se contenta em replicar os sucessos que o tornaram uma figura consensual na cultura portuguesa. O álbum Retorno é a prova inequívoca de que a inquietude artística e o desejo de autotransformação continuam a ser os grandes motores da sua existência.
Convidamos todos os nossos ouvintes e leitores a deixarem-se guiar pela sensibilidade deste disco, a explorarem as suas nuances harmónicas e a descobrirem os segredos escondidos entre cada nota e cada silêncio. A música de qualidade superior tem a capacidade de nos suspender do caos do quotidiano e de nos devolver a uma dimensão de humanidade e beleza que urge preservar. Siga os links disponíveis nesta página para escutar a entrevista na íntegra e para acompanhar a carreira deste gigante do piano contemporâneo.
A equipa da Multicultural TV in Canada agradece penhoradamente a Mário Laginha pela sua generosidade, pela sua música e pela lição de desprendimento e evolução que partilhou connosco. Que o seu piano continue a ecoar por muitos anos, espalhando a luz da nossa cultura pelos quatro cantos do planeta.
Mário Laginha and the Sublime Geometry of Sound: A Deep Dive into “Retorno” on Café Com…
In the vibrant tapestry of global contemporary music, few figures stand as tall as the Portuguese virtuoso Mário Laginha. For decades, his name has been synonymous with a rare blend of technical precision and raw emotional honesty. Recently, the Café Com… podcast on Multicultural TV in Canada had the distinct honor of hosting this master of the keys to discuss his latest creative milestone. The interview was not merely a promotional stop for a new record; it was a philosophical exploration of what it means to be an artist in a constantly shifting world.
The core of our discussion revolved around the release of Retorno, an album that marks a significant pivot in the career of Mário Laginha. After 19 years of silence in the solo piano format, this project represents a homecoming—a “return” to the fundamental relationship between a man and his instrument. For Mário Laginha, the solo piano is the ultimate test of musical truth. Without the rhythmic safety net of a drum kit or the harmonic cushioning of a bass, the pianist is exposed, offering the listener a direct line into their creative soul. This episode of Café Com… captures that vulnerability perfectly, as the artist peels back the layers of his process.
The longevity of the career of Mário Laginha is a testament to his adaptability. Throughout the years, we have seen Mário Laginha collaborate with jazz giants, classical orchestras, and world music icons. Each of these interactions left a mark, a subtle residue of influence that has fermented over nearly two decades. When he finally sat down to record Retorno, he wasn’t just bringing the skills of a jazz player to the studio; he was bringing the accumulated wisdom of a life spent in the service of sound. This depth is what sets Mário Laginha apart from his peers; he is a musician who listens as much as he plays.
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The 19-Year Journey: Why Mário Laginha Waited to Return to Solo Piano
One of the most frequent questions directed toward Mário Laginha during this press cycle is “Why now?” Nineteen years is an eternity in the music industry. His previous solo effort, Canções e Fugas (Songs and Fugues), was a highly structured, almost mathematical tribute to the contrapuntal genius of J.S. Bach. It was a record defined by fugas—pieces written from the first to the last note with rigorous intent. For Mário Laginha, that record was about the architecture of music, the ability to build complex structures through sheer intellectual will.
However, as Mário Laginha explained during our interview at the Camões Radio studios, life happened in the intervening years. He became “involved in a thousand projects,” as he puts it. From his legendary duo with Maria João to his profound work with Camané, Mário Laginha was never idle. He was constantly evolving, but always in the company of others. The delay in returning to a solo format wasn’t a lack of ideas; it was an abundance of opportunities. He waited until he had a “story to tell” that could only be narrated by ten fingers and eighty-eight keys.
The internal pressure to record again was also bolstered by those closest to him. Mário Laginha shared a lighthearted moment during the podcast, noting that his wife didn’t just ask him to record—she “demanded” it. This external push, combined with the forced introspection of the global pandemic, created the perfect storm for Retorno. The result is a work that feels less like a calculated career move and more like a necessary biological release of nearly twenty years of pent-up musical thought.
The Pandemic as a Silent Collaborator in the Work of Mário Laginha
The global lockdown of 2020-2021 was a period of profound transformation for the arts. For Mário Laginha, it provided the one thing his busy schedule usually lacked: time. Without the constant cycle of touring and rehearsals, Mário Laginha found himself alone with his piano in a way he hadn’t been for years. The silence of the world outside allowed him to focus on the nuances of the instrument’s resonance. It was during these quiet months that the sketches for Retorno began to emerge.
The music written during this time by Mário Laginha carries the DNA of that isolation. There is a sense of spaciousness in the tracks, a willingness to let notes decay into the silence. This is a hallmark of the “new” Mário Laginha—a musician who is no longer afraid of the empty spaces between the melodies. In the interview, he describes how he finally felt he had enough repertoire and simply “booked the studio dates” to commit the work to history. This decisive action marked the end of his long solo hiatus and the beginning of a new chapter in Portuguese instrumental music.
Fado, Jazz, and the Breaking of Internal Walls
Perhaps the most revelatory part of our conversation with Mário Laginha was his admission regarding Fado. For much of his early career, Mário Laginha maintained a “wall” between himself and the traditional music of his homeland. He viewed Fado through a lens of resistance, perhaps feeling that its structured melancholy didn’t offer the improvisational “oxygen” he required as a jazz musician. However, as the years passed, that wall began to crumble.
The catalyst for this change was his long-standing collaboration with the Fado singer Camané. By immersing himself in the world of Fado, Mário Laginha began to see the genre’s inherent sophistication. He realized that Fado wasn’t a cage, but a different kind of freedom. He started to let the “trills” and ornamentations of the Portuguese guitar influence his piano playing. In the interview, he notes that his current style of ornamentation is no longer strictly “jazz-centric” but is deeply flavored by the “perla” (pearl-like) phrasing found in the traditional music of Lisbon’s streets.
This cross-pollination is visible throughout Retorno. Mário Laginha has achieved something rare: he has localized the universal language of jazz. By allowing the soul of Fado to seep into his fingers, he has created a sound that is undeniably Portuguese yet globally accessible. This “letting down of the guard” is a sign of a truly mature artist—one who no longer needs to defend their genre but can instead invite all influences to the table.
Total Improvisation: Mário Laginha Without a Net
In Retorno, Mário Laginha explores a concept that is the polar opposite of his work in Canções e Fugas: total improvisation. While his previous solo album was a feat of pre-meditated composition, the new album features five tracks that were created entirely on the spot. In the studio, Mário Laginha simply sat at the piano, asked the engineer to press “record,” and began to play. There were no leads, no charts, and no second takes.
This approach requires a terrifying level of confidence. To improvise “without a net” means trusting that your subconscious mind has the structural integrity to build a coherent piece of music in real-time. For Mário Laginha, these five tracks are the heart of the album. They represent the “Retorno” to the most primal form of music-making. During the podcast, he emphasized that while some tracks on the album are written themes with space for solos (the common jazz approach), these five improvisations are purely spontaneous artifacts of a single moment in time.
Stage Fright and the Joy of Communication
Despite being a veteran of thousands of performances, Mário Laginha spoke candidly about the “nervous butterfly” sensation that still precedes every concert. However, he noted a significant shift in his relationship with the audience. Nineteen years ago, the tension of performing solo was perhaps more about the technical execution of the “fugas.” Today, Mário Laginha describes a feeling of being “more liberated and relaxed.”
He explained that the goal now is not just to play correctly, but to communicate. When Mário Laginha steps onto the stage today, he is looking for a connection with the gallery. He thrives on the reaction of the crowd, using their energy to fuel his improvisations. This shift from “performance” to “conversation” is what makes his current live shows so compelling. He isn’t playing at the audience; he is playing with them. This newfound sense of freedom is a direct result of the two decades of “road miles” he has accumulated since his last solo outing.
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Mário Laginha’s Global Vision: Armenia, Latin America, and Beyond
As we concluded our interview, Mário Laginha looked toward the future with an intensity that belies his years in the industry. His calendar is a testament to the global appeal of his music. He spoke about an upcoming project in Armenia, where he will perform a “three-piano concert” alongside an Armenian and an Estonian pianist, featuring original compositions from all three. This kind of cross-cultural dialogue is where Mário Laginha truly shines—bridging the gap between the Atlantic coast and the Caucasus mountains through the universal language of the keyboard.
Furthermore, Mário Laginha revealed plans for a major tour through Latin America, with dates being set in Brazil, Argentina, and Ecuador. For a musician whose work is so deeply rooted in the “saudade” of Portugal, the connection to the emotional landscapes of South America is a natural fit. Whether he is playing in a small club in Lisbon or a grand theater in Buenos Aires, the essence of Mário Laginha remains the same: a tireless seeker of beauty and truth in sound.
Creating Mental Movies: How to Listen to Mário Laginha
One of the final thoughts Mário Laginha shared with our listeners was about the power of the listener’s imagination. He was asked what kind of “film” he wants people to create in their heads when they hear Retorno. His answer was profoundly humble: he wants every listener to build their own story. He believes that music belongs to the listener once it leaves the piano. Whether a track reminds someone of a lost love, a childhood memory, or a hopeful future, Mário Laginha views all interpretations as valid.
This lack of ego is perhaps why Mário Laginha remains such a beloved figure in the arts. He provides the charcoal and the canvas, but he lets the audience provide the color. As you listen to this episode of Café Com…, we encourage you to close your eyes and let the words and music of this Portuguese icon take you wherever you need to go.
Conclusion: The Lasting Legacy of Mário Laginha
In summary, the return of Mário Laginha to the solo piano is a gift to the global music community. His new album Retorno is a masterclass in evolution, proving that an artist can remain true to their roots while constantly pushing into new territories. From his early classical influences to his newfound embrace of Fado and total improvisation, Mário Laginha continues to redefine the boundaries of what a piano can do.
We invite you to stay connected with Camões Radio for more in-depth interviews with cultural icons. Follow the links throughout this page to listen to the full episode on Spotify or SoundCloud, and don’t forget to subscribe to the Café Com… podcast to ensure you never miss a moment of insight from the world’s most fascinating creators. Mário Laginha is back, and the world of music is better for it.
This article was created for fans of Mário Laginha, jazz enthusiasts, and supporters of Portuguese culture worldwide. Through the Café Com… podcast, we aim to bring the voices of Portugal’s finest to the global stage.