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It’s Showtime – S06E53 – Capicua

Written by on January 9, 2026

Capicua e a Urgência do Encantamento: Uma Viagem Literária no Its Showtime

No mais recente e aguardado episódio do programa Its Showtime, a Multicultural Radio in Canada recebe uma das vozes mais fundamentais da lusofonia contemporânea: Capicua. Ana Matos Fernandes, a mulher por trás deste alter ego que revolucionou o hip-hop em Portugal, traz-nos uma conversa que transcende a música, mergulhando profundamente na sociologia, na política e, acima de tudo, na poesia como ferramenta de sobrevivência.

Assista ao Episódio Visual Completo

Não se limite ao áudio. Veja a performance e a entrevista detalhada na nossa plataforma de streaming.

O Manifesto de Capicua: Gelado Antes do Fim do Mundo

O ponto central desta conversa no Its Showtime é o novo álbum de Capicua, intitulado “Gelado Antes do Fim do Mundo”. Este título, que à primeira vista pode parecer lúdico, carrega uma densidade filosófica profunda. Capicua explica que, perante a iminência de catástrofes climáticas e a degradação do discurso político, o “encantamento” é uma forma de resistência. Comer um gelado antes do fim do mundo é uma metáfora para a importância de preservar o prazer, a pausa e a contemplação da beleza.

Para Capicua, a arte não deve apenas denunciar o que está mal, mas também deve ser capaz de oferecer um refúgio de beleza. Ela defende que só lutamos por aquilo que amamos e pelo que nos encanta. Se perdermos a capacidade de nos deslumbrarmos com o mundo, perderemos a vontade de o salvar. Esta visão humanista é o que torna o trabalho de Capicua tão ressonante para a nossa audiência na Camoes Radio, especialmente para aqueles que vivem na diáspora e procuram manter uma ligação emocional e intelectual com Portugal.

A Sociologia do Rap: Como Capicua Descodifica a Realidade

Ao longo do episódio S06E53, Capicua revela como a sua formação académica em Sociologia influencia diretamente a sua escrita. Ao contrário de muitos artistas que se focam apenas na experiência individual, Capicua utiliza uma lente sistémica para observar a sociedade. As suas letras são crónicas sociais ritmadas que abordam a gentrificação, o patriarcado, a herança do colonialismo e a alienação tecnológica.

Esta abordagem intelectual faz com que Capicua seja frequentemente convidada para debates que vão muito além dos festivais de música. No Its Showtime, discutimos como ela consegue equilibrar a complexidade das ideias com a fluidez do rap. Ela admite que é um processo de “garimpo” constante — procurar a palavra certa, o ritmo exato e a rima que não seja óbvia, mas que seja certeira. Esta exigência técnica é o que eleva Capicua ao estatuto de uma das melhores letristas da sua geração.

Capicua e Luís Montenegro: Uma Produção Orgânica e Vibrante

Muitos ouvintes da Multicultural Radio in Canada notarão uma mudança sonora neste novo álbum. Capicua colaborou estreitamente com Luís Montenegro para criar um ambiente sonoro que se afasta dos samples tradicionais do hip-hop dos anos 90, abraçando uma instrumentação mais orgânica. Há guitarras, teclados e uma vibração “viva” que complementa perfeitamente a voz doce, mas firme, de Capicua.

Esta evolução sonora reflete o desejo de Capicua de não ficar estagnada numa fórmula. Ela sente que o rap é um território elástico que pode e deve absorver influências da música eletrónica, da canção portuguesa e até da música experimental. No palco do Its Showtime, ouvimos como esta experimentação resulta numa música que é simultaneamente moderna e profundamente enraizada na tradição da palavra dita.

Capicua e a Luta das Mulheres: A Performance de “Brava”

Um dos momentos mais emocionantes deste episódio é quando Capicua fala sobre o tema “Brava”. Esta canção tornou-se um hino de resistência feminina, denunciando a violência doméstica e as expectativas sufocantes que a sociedade impõe às mulheres. Capicua utiliza o termo “Brava” para descrever uma mulher que não se deixa domesticar, que é corajosa e que reclama o seu espaço no mundo.

No Its Showtime, a artista reflete sobre como a indústria da música ainda é um espaço predominantemente masculino e como as mulheres têm de trabalhar o dobro para serem reconhecidas pela sua competência técnica e intelectual. Capicua é um exemplo de sucesso nesta luta, abrindo portas para uma nova geração de rappers femininas que vêem nela um modelo de integridade e talento.

A Ligação Diaspórica: Capicua e a Comunidade no Canadá

A Camoes Radio tem um papel fundamental na união dos portugueses pelo mundo, e Capicua reconhece essa importância. No final da entrevista, a artista deixa uma mensagem calorosa para os portugueses no Canadá, destacando que a língua é a nossa pátria comum. Através da sua música, Capicua consegue anular os milhares de quilómetros que separam Toronto de Lisboa ou do Porto.

Ela acredita que a cultura é o fio condutor que mantém a identidade viva. Mesmo para aqueles que já nasceram fora de Portugal, as letras de Capicua oferecem uma porta de entrada para compreender a realidade social do Portugal moderno — um país que lida com o seu passado enquanto tenta construir um futuro mais justo e inclusivo.

Educação Ambiental: O Projeto Mão Verde

Para finalizar este mergulho no universo de Capicua, não poderíamos esquecer o seu trabalho com as crianças através do projeto Mão Verde. Capicua acredita que a educação ambiental deve ser feita com poesia e alegria. Ao ensinar os mais novos a respeitar a terra e os ciclos da natureza, ela está a combater o niilismo que muitas vezes domina o discurso sobre o fim do mundo. É mais um exemplo de como Capicua utiliza a sua arte para gerar impacto real e positivo na sociedade.

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The Poetic Resistance of Capicua: A Deep Dive into ‘Ice Cream Before the End of the World’ on Its Showtime

In this landmark episode of Its Showtime, the Multicultural Radio in Canada platform brings you a conversation that is as intellectually stimulating as it is musically vibrant. We are joined by Capicua, the stage name of Ana Matos Fernandes, a rapper, sociologist, and one of the most vital voices in contemporary Portuguese music. This episode, S06E53, is a profound exploration of how art serves as a sanctuary and a weapon in an increasingly chaotic world.

Experience the Full Visual Episode

Go beyond the audio and witness the full performance and interview on our dedicated streaming platform.

Capicua and the Philosophy of ‘Enchantment’

The central theme of our discussion on Its Showtime revolves around Capicua’s latest album, “Gelado Antes do Fim do Mundo” (Ice Cream Before the End of the World). At first glance, the title might seem whimsical, but Capicua reveals a much deeper, existential layer. In a time dominated by climate anxiety, political polarization, and global unrest, Capicua argues that “enchantment” is a necessary form of resistance. Eating an ice cream before the world ends is a metaphor for reclaiming our right to joy, beauty, and the present moment.

For Capicua, protest music shouldn’t just be about anger; it must also protect the things that make life worth living. She believes that we only fight for what we love and what enchants us. If we lose our ability to be moved by beauty, we lose the will to save our planet and our society. This perspective is particularly poignant for our listeners on Camoes Radio, many of whom navigate the complexities of identity within the Portuguese diaspora in Canada, seeking meaningful connections to their heritage and the world at large.

The Sociological Lens: How Capicua Decodes Modern Life

Throughout S06E53, Capicua explains how her academic background in Sociology directly informs her lyrical craft. Unlike artists who focus strictly on personal narratives, Capicua uses a systemic lens to observe the world around her. Her rap lyrics are rhythmic social chronicles that tackle subjects like gentrification, the lingering shadows of colonialism, patriarchy, and the alienating effects of modern technology.

This intellectual depth makes Capicua much more than just a musician; she is a public intellectual. On Its Showtime, we discuss the delicate balance of weaving complex sociological theories into the fluid, accessible rhythm of hip-hop. She describes her writing process as “prospecting”—a constant search for the perfect word that captures a social truth without sacrificing the “groove” or the poetic impact. This technical rigor is why Capicua remains a leader in the Lusophone rap scene.

Organic Soundscapes: Capicua’s Collaboration with Luís Montenegro

Listeners of the Multicultural Radio in Canada will notice a distinct sonic evolution in this new album. Capicua collaborated closely with producer Luís Montenegro to move away from the traditional, sample-heavy beats of 90s hip-hop toward a more organic and instrumental sound. The album features live guitars, keys, and an “unplugged” feel that perfectly complements Capicua’s crisp, melodic delivery.

This evolution reflects Capicua’s refusal to be pigeonholed. She views rap as an elastic territory that can—and should—absorb influences from electronic music, traditional Portuguese song, and even experimental pop. On the Its Showtime stage, we hear how this experimentation results in music that feels contemporary yet deeply rooted in the long tradition of the “spoken word” in Portugal.

Stream the Episode Playlist

 

Capicua and Female Resistance: The Story of “Brava”

One of the most powerful moments of this episode occurs when Capicua discusses her song “Brava.” This track has become a feminist anthem, directly denouncing domestic violence and the suffocating societal expectations placed upon women. Capicua uses the term “Brava” (Wild/Brave) to describe a woman who refuses to be domesticated, who stays courageous and reclaims her space in the world.

On Its Showtime, the artist reflects on the fact that the music industry remains a male-dominated space. She emphasizes that women often have to work twice as hard to be recognized for their technical and intellectual competence. Capicua stands as a role model in this struggle, opening doors for a new generation of female rappers who see her as a beacon of integrity and creative independence.

Bridging the Distance: Capicua and the Diaspora in Canada

Camoes Radio plays a fundamental role in uniting Portuguese speakers across the globe, and Capicua recognizes this mission. During the interview, she shares a heartfelt message for the Portuguese community in Canada, highlighting that our language is our shared home. Through her music, Capicua effectively bridges the thousands of miles between Toronto and Porto or Lisbon.

She believes culture is the thread that keeps identity alive. Even for those born outside of Portugal, Capicua’s lyrics offer a window into the social reality of modern Portugal—a country grappling with its past while striving to build a more just and inclusive future. Her visit to Its Showtime reinforces the idea that Portuguese rap is a global conversation.

Environmental Advocacy: The Mão Verde Project

Finally, we cannot overlook Capicua’s work with children through the Mão Verde (Green Hand) project. Capicua believes that environmental education should be delivered with poetry and joy. By teaching the younger generation to respect the earth and the cycles of nature, she combats the nihilism that often surrounds climate discourse. It is another example of how Capicua uses her art to create a real, positive impact on society.

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