No nono episódio da segunda temporada do programa Sentir Pensar E Agir, o anfitrião Rómulo Ávila conduz-nos através de uma jornada emocional e intelectual ao lado de Rubén Pacheco Correia. Este episódio não é apenas uma entrevista; é uma reflexão profunda sobre o que significa ser açoriano no século XXI, explorando as pontes invisíveis mas indestrutíveis que ligam o arquipélago dos Açores à vasta comunidade lusa no Canadá.Rubén Pacheco Correia, um nome que se tornou sinónimo de dinamismo e autenticidade, apresenta-se nesta conversa como um “homem de causas”. A sua trajetória, embora marcada por uma juventude vibrante, carrega o peso de um currículo vasto que abrange a gastronomia, a literatura, o empreendedorismo e a comunicação televisiva. Durante a conversa, fica claro que Rubén não é alguém que se contenta com o superficial; ele procura a essência em cada projeto que abraça, seja a gerir os seus restaurantes de sucesso ou a investigar a verdade histórica para o seu próximo romance.
Rubén Pacheco Correia e a Ligação Umbilical com o Canadá
Um dos pontos centrais da entrevista em Sentir Pensar E Agir é a relação especial que Rubén Pacheco Correia mantém com o Canadá. Na sua 20ª visita ao país, Rubén partilha uma reflexão que ressoa profundamente na comunidade emigrante: a ideia de que, por vezes, se sente “mais açoriano em Toronto do que nos próprios Açores”. Esta afirmação fundamenta-se na observação de como a diáspora preserva a memória coletiva e as tradições com uma pureza que a modernidade europeia muitas vezes dilui.
Para Rubén Pacheco Correia, o Canadá representa o auge do multiculturalismo. Ele descreve a facilidade com que se atravessa a rua entre a Little Italy e o Little Portugal na College Street, vendo nisso um exemplo de como diferentes culturas podem coexistir e fortalecer-se mutuamente. No entanto, é na preservação da identidade açoriana que Rubén coloca o maior foco, elogiando a forma como os portugueses em Toronto mantêm vivo o orgulho nas suas origens através da Multicultural Radio in Canada e de outras instituições comunitárias.
Rómulo Ávila questiona Rubén sobre as suas primeiras memórias em Brampton, provando que a chama desta paixão pelo Canadá foi acesa logo na infância. Para o convidado, esta ligação não é apenas nostálgica; é estratégica. Ele vê na diáspora um motor de desenvolvimento para Portugal, um reservatório de competências e de amor à pátria que deve ser mais valorizado pelos governantes em Lisboa e Ponta Delgada.
“A diáspora açoriana no Canadá não é apenas uma extensão geográfica; é a guardiã da nossa alma mais pura, onde as tradições não são apenas lembradas, mas vividas diariamente com um orgulho que nos deve inspirar a todos.” — Rubén Pacheco Correia
A Gastronomia como Herança Familiar e Sucesso Empresarial
A paixão de Rubén Pacheco Correia pela gastronomia não nasceu por acaso; foi cozinhada em casa, entre o calor dos tachos e o aroma das receitas tradicionais. Com uma avó e uma mãe chefes de cozinha, e um pai com vasta experiência no setor, Rubén cresceu no seio de uma família que via na mesa o centro da vida social e afetiva. Esta herança familiar foi o motor que o levou a abrir o seu primeiro restaurante, O Lote, em Rabo de Peixe, quando tinha apenas 18 anos.
Hoje, com uma década de história na restauração, Rubén Pacheco Correia gere projetos de referência como o Mercado em Vila Franca do Campo. Ele destaca que, embora o sucesso comercial seja gratificante, a sua ligação à comida é, acima de tudo, uma forma de comunicação. Durante o episódio, ele utiliza a metáfora da “panela de pressão” para descrever a sua vida: sempre sob pressão, mas sempre focada em produzir algo que alimente e satisfaça os outros.
No Sentir Pensar E Agir, Rubén explica que o setor da restauração nos Açores enfrenta desafios significativos, desde a sazonalidade do turismo até à falta de mão de obra qualificada. No entanto, ele mantém-se otimista, defendendo que a qualidade e a autenticidade dos produtos açorianos são trunfos imbatíveis num mercado global ávido por experiências genuínas. Para Rubén, cozinhar é um ato de amor e de resistência cultural.
Literatura e a Próxima Grande Obra de Rubén Pacheco Correia
Embora a gastronomia lhe garanta visibilidade, a verdadeira alma de Rubén Pacheco Correia reside na escrita. Tendo publicado o seu primeiro livro aos 14 anos, Rubén vê na literatura a sua forma de expressão mais eterna. Ele confessa a Rómulo Ávila que, se tivesse de escolher apenas uma faceta para o resto da vida, seria a de escritor.
Durante a conversa, Rubén revela detalhes exclusivos sobre o seu próximo projeto literário: um romance histórico que promete ser o seu trabalho mais maduro até à data. Rubén Pacheco Correia descreve o processo de investigação rigorosa, onde a verdade histórica se funderá com a narrativa ficcional para contar histórias que importam. Este livro representa a sua transição definitiva para se assumir como um autor de fôlego no panorama literário português, focado em temas que tocam a alma humana e a identidade nacional.
Ele explica que, para si, escrever é uma necessidade fisiológica. Os títulos dos seus livros muitas vezes surgem antes mesmo da história estar concluída, servindo como uma bússola que guia o seu processo criativo. Pode acompanhar mais sobre o seu percurso literário na categoria Sentir Pensar E Agir na Camoes Radio.
A Defesa de Rabo de Peixe e a Visão Social
É impossível falar de Rubén Pacheco Correia sem mencionar a sua terra natal, Rabo de Peixe. Com uma coragem admirável, Rubén utiliza o palco do Sentir Pensar E Agir para combater o estigma social que ainda persegue esta vila piscatória. Ele critica a forma como a ficção televisiva e os índices de pobreza são por vezes usados para carimbar negativamente toda uma comunidade, ignorando o talento e a resiliência das suas gentes.
Como “homem de causas”, Rubén Pacheco Correia não foge a temas políticos. Assume-se como um herdeiro espiritual do pensamento de Francisco Sá Carneiro, priorizando sempre a liberdade individual e a verdade sobre as conveniências partidárias. Ele defende que a independência financeira é o único caminho para a liberdade de opinião, algo que exerce com rigor ao analisar a situação política nos Açores e em Portugal Continental.
Rubén alerta para a necessidade de líderes com “mundo”, que entendam a dinâmica empresarial e as necessidades reais das populações. Critica o que chama de “caldeirada partidária” e apela a uma gestão mais técnica e competente em áreas cruciais como a saúde e o turismo, garantindo que os recursos públicos sejam usados em benefício de quem realmente trabalha e produz.
O Combate à Desinformação e o Futuro Digital
No encerramento da entrevista, Rubén Pacheco Correia deixa um aviso urgente sobre a “ditadura do algoritmo” e o perigo das notícias falsas. Num mundo onde a velocidade da informação muitas vezes atropela a verdade, Rubén apela à literacia mediática e ao espírito crítico. Ele reforça que o povo português, como um povo de emigrantes por excelência, deve saber acolher e integrar quem chega hoje a Portugal com o mesmo espírito com que fomos acolhidos no Canadá.
Este episódio de Sentir Pensar E Agir com Rubén Pacheco Correia é mais do que uma entrevista; é uma lição de cidadania e amor à pátria. É um convite à reflexão sobre quem somos e sobre o papel que cada um de nós desempenha na construção de uma sociedade mais justa e consciente das suas raízes.