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A história do Jazz, completa cem anos em Portugal

Written by on February 22, 2024

Villas-Boas com Amália Rodrigues e Don Byas, em 1968. Crédito: DR

O história do Jazz, completa cem anos em Portugal

Tudo isto é Villas-Boas, tudo isto é jazz e há um duplo centenário foi celebrado no Centro Cultural de Belém.
O ano é 1924, em março, nascia em Lisboa Luís Villas-Boas (1924-1999), que ficaria para a história como “o pai do jazz em Portugal”. Neste mesmo ano no “The New York Times” escrevia-se que “o jazz está para a verdadeira música exatamente como a maior parte da chamada ‘nova poesia’ está para a verdadeira poesia.Em meados dos “loucos anos 20” escrevia-se na revista “Ilustração Portuguesa” que esta “música de selvagens […] não tem a suave harmonia das músicas clássicas”. Ainda assim, 1924 é agora consagrado como o ano primeiro da história do género musical que atualmente se aplaude em inúmeros festivais em todo o país e alimenta uma efervescente e criativa cena musical em que militam músicos de craveira internacional.

ViIlas-Boas e o trompetista Thad Jones na sede do Hot Clube na Praça da Alegria, em 1956. Créditos: Augusto Mayer.

As chamadas jazzofobias, protagonizadas nas décadas de 1920 a 1940 por diversos sectores da sociedade, incluindo o escritor Ferreira de Castro, logo em 1924, merecem especial destaque em palco, convidando os espectadores a reflectir sobre um período e regime político em que a dignidade humana não abrangia todos por igual. Teve lugar no dia 9 de fevereiro no Centro Cultural de Belém, uma homenagem a Luís Villas-Boas, promovida pela Égide – Associação Portuguesa das Artes em colaboração com o Hot Clube de Portugal, celebrando um duplo centenário assinalado em 2024.

Luís Villas Boas é unanimemente considerado o «pai» do jazz em Portugal. Nascido em Lisboa, a 26 de Março de 1924, numa família com fortes tradições musicais e ligada à cultura em geral. A ele se devem a criação do programa de rádio mais influente na divulgação do jazz, Hot Club, transmitido ininterruptamente entre 1945 e 1969, a organização das primeiras jam sessions, a autoria dos primeiros artigos de imprensa informados, a fundação das primeiras instituições jazzísticas nacionais – Hot Clube de Portugal, 1948; Discostudio, 1958; Luisiana Jazz Club, 1965 -, e a produção dos primeiros grandes concertos: Sidney Bechet, 1955; Count Basie, 1956; Bill Coleman, 1959.

 

Crédito: Almedina

Empenhou-se na divulgação televisiva do jazz e nos primeiros esboços de internacionalização de um músico e de um grupo de jazz nacional e promoveu o encontro discográfico entre o fado de Amália Rodrigues e o jazz de Don Byas. Devemos-lhe a produção do primeiro grande festival – Cascais Jazz, 1971-1988 – bem como a angariação dos primeiros patrocínios para espectáculos.

No final dos anos de 1970 teve um papel decisivo na promoção do ensino, fundando as escolas do Hot Clube de Portugal – onde se têm formado nos últimos cerca de 50 anos as sucessivas gerações de músicos que mantêm o jazz como um género musical vivo -, e do Luisiana Na década de 1980, juntamente com Duarte Mendonça, viria a ter os seus próprios programas de jazz – Aqui Jazz (1978-1979), Jazz Magazine (1978-1979), Club de Jazz (1982-1985) e Jazz para Todos (1986).

Para celebrar o 100 º aniversário do nascimento de Luís Villas Boas um livro também foi lançado escrito por João Moreira dos Santos, que reúne uma primeira narrativa biográfica e através de 70 entrevistas à imprensa, rádio e televisão, dá-lhe a palavra, acompanhando a evolução do seu pensamento e acção ao longo de quase 50 anos, bem como o percurso do jazz no Portugal do século XX. Para obter o livro pode clicar aqui.

Fonte: Rui M. Abreu/Publico/CamõesRádio


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